Homem de 83 anos acabou de se tornar a pessoa mais velha a percorrer o Caminho dos Apalaches

(dr) Nimblewill Nomad

M.J. “Sunny” Eberhart, à direira

M.J. “Sunny” Eberhart, um oftalmologista reformado, está habituado a fazer longas caminhadas. Agora, tornou-se a pessoa mais velha a completar o Appalachian Trail, que tem mais de 3.500 quilómetros de extensão.

Um homem de 83 anos, apelidado de “Nimblewill Nomad, tornou-se a pessoa mais velha a chegar ao fim da longa caminhada no Appalachian Trail — que se estende desde a Georgia até ao Maine —, em novembro deste ano.

“Tenho algumas marcas de escorregar, mas estou bem”, disse Eberhart, em declarações à AP News.

“É precisa uma determinação incrível para fazer isto”, continuou.

O oftalmologista chegou a Dalton, no Massachusetts, em novembro, tendo atravessado com sucesso a famosa rota de 2.193 milhas (mais de 3.500 quilómetros) e batendo o recorde de Dale Sanders, ou “Grey Beard”.

Sanders, que acompanhou Eberhart na reta final, deu-lhe um bastão de caminhada gravado para assinalar o marco.

“O meu querido amigo Nimblewill está a tirar-me o meu recorde, e estou feliz por ele. Os recordes são feitos para serem quebrados“, disse Sanders.

Eberhart partiu da sua casa em Flagg Mountain, Alabama, nove meses antes, embarcando na aventura à qual chamou “Odyssey 2021 ‘Bama to Baxter – Hike On”.

Esta será a derradeira viagem na vida deste velho, uma viagem de corpo, mente e espírito”, explicou Eberhart, no seu blog.

Mas Eberhart não se limitou a começar a jornada no início do Appalachian Trail, no norte da Geórgia. Em vez disso, começou a caminhada em Flagg Mountain, onde mora, o que acrescentou mais de 600 quilómetros à sua aventura.

O homem de 83 anos levou consigo uma mochila com cerca de 3 quilogramas, uma tenda e um saco-cama, e dormiu na natureza.

Ao longo do caminho, foi acompanhado por outros que também percorriam o trilho, mas todos os dias pensava em desistir.

“Eu sabia o que estava por vir”, disse Eberhart, referindo-se à dor que sentia enquanto caminhava, especialmente nos seus pés. Mas inspirou-se em Lance Armstrong, que uma vez disse que a dor era temporária mas que a derrota era para sempre.

“Oitenta por cento [da dor] é areia mental”, disse Eberhart. “E é por isso que tantas pessoas falham”, considerou ainda.

Ao longo da sua caminhada, Eberhart perdeu quase sete quilogramas e deixou crescer o cabelo e a barba. “O velhote na montanha tem de ter barba”, brincou.

O longo caso de amor de Eberhart com as caminhadas começou em 1993 e, depois de se ter divorciado e fastado dos seus filhos, recentemente,  divorciado e afastado dos seus filhos, voltou à estrada, na esperança de encontrar alívio para a sua angústia.

As suas muitas caminhadas anteriores incluem uma viagem de sete mil quilómetros entre Florida Keys e o norte do Quebec, que Eberhart descreve no seu livro “Ten Million Steps”.

“É uma bênção profunda. É tão simples quanto isso”, disse Eberhart, que planeia agora regressar — de carro — a casa, onde supervisiona uma torre de incêndio e cabines do Corpo de Conservação Civil. Quanto a caminhadas futuras? “Tenho 83 anos de idade. Só espero estar aqui amanhã”, concluiu.

Mas os seus amigos não pensam que Nimblewill Nomad se vá reformar das caminhadas em breve. De acordo com Odie Norman, que caminhou parte do trilho com o amigo, o homem de 83 anos está ansioso por voltar a percorrer as trilhas.

“Ele disse: ‘Sabes que chamam a isto a minha caminhada final?’. Depois riu-se”, contou Norman, que pensa que Eberhart só ainda não decidiu qual será a próxima caminhada.

  ZAP //

 

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