Heavy metal tem má reputação mas pode ter vários benefícios para a saúde

A música heavy metal tem uma má reputação por diferentes razões, mas vários estudos científicos mostraram vários benefícios que os ouvintes deste estilo de música podem colher.

Devido ao seu som extremo e letras agressivas, a música heavy metal é frequentemente associada a controvérsias. Entre os momentos mais contenciosos do género, tem havido casos de mercadoria blasfema, acusações de promover o suicídio e culpa pelos tiroteios em massa nas escolas. Se é assim tão “mau”, porque é que tantas pessoas gostam? E este género musical realmente tem um efeito negativo?

Existem muitas razões pelas quais as pessoas se identificam com diferentes géneros de música. Por um sentimento de pertença, porque gostam do som, identificam-se com os temas líricos, ou querem olhar e agir de uma certa maneira.

Ao longo dos anos, tem havido muita investigação sobre os efeitos do heavy metal. Um estudo publicado em 2012 explorou o impacto do som no desempenho. Mais especificamente, os cientistas usaram o thrash metal (um subgénero de heavy metal rápido e agressivo) para comparar a música que os participantes gostaram e não gostaram (com o metal sendo a música que não gostaram).

Esta investigação mostrou que ouvir música de que não se gosta, comparada à música que se gosta, pode prejudicar a rotação espacial — a habilidade de girar mentalmente objetos na mente —, e tanto a música de que se gosta como a que não se gosta são igualmente prejudiciais à memória de curto prazo.

Outros cientistas estudaram mais especificamente o porquê de as pessoas ouvirem heavy metal e se este influencia o comportamento subsequente. Para as pessoas que não são fãs de heavy metal, ouvir a música parece ter um impacto negativo no bem-estar.

Num estudo publicado em 2007, os não-fãs que ouviram música clássica e heavy metal, ou sentaram-se em silêncio seguindo-se de um período de stress, ou revelaram ansiedade depois de ouvir heavy metal. Ouvir outros tipos de música ou sentado em silêncio mostrou uma diminuição na ansiedade. Curiosamente, a frequência cardíaca e a respiração diminuíram com o tempo para todas as condições.

Olhando para as diferenças entre fãs de heavy metal e não-fãs, outro estudo publicado em 2013 mostrou que os fãs tendem a ser mais abertos a novas experiências, que se manifestam em preferir músicas intensas, complexas e não convencionais, além de uma atitude negativa em relação à autoridade institucional. No entanto, alguns têm níveis mais baixos de auto-estima e uma necessidade de exclusividade.

Experiência catártica

Pode-se concluir que este e outros comportamentos negativos são o resultado de ouvir heavy metal, mas o mesmo estudo sugere que possa ser catártico. Os fãs de final da adolescência/início da idade adulta também tendem a ter níveis mais altos de depressão e ansiedade, mas não se sabe se a música atrai pessoas com estas características ou se as causa.

Apesar do conteúdo lírico muitas vezes violento em algumas músicas de heavy metal, um estudo publicado no mês de março na revista Royal Society Open Science mostra que os fãs não ficam sensibilizados com a violência, o que põe em dúvida os efeitos negativos anteriormente assumidos da exposição a longo prazo a essa música.

De facto, estudos mostraram que fãs de longo prazo eram mais felizes na juventude e melhor adaptados na meia-idade em comparação com seus colegas que não eram fãs de heavy metal.

Por fim, o heavy metal pode promover o pensamento científico, mas não apenas por ouvi-lo. Os educadores podem promover o pensamento científico apresentando alegações de que ouvir certos géneros musicais está associado ao pensamento violento.

Ao examinarem as acusações de violência e ofensa — que envolviam artistas mundialmente famosos como Ozzy Osbourne e Marilyn Manson — os alunos podem praticar o seu pensamento científico, ao explorar falácias lógicas, questões de design do estudo e vieses de pensamento.

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31 COMENTÁRIOS

  1. Pessoas que ouvem heavy metal são claramente mais instruídas e possuem maior poder aquisitivo. Por oposição, quem não gosta do gênero é pobre e ignorante. Não é necessário fazer nenhum estudo, para ver quem é mais feliz basta comparar o nível sócio-econômico dos ouvintes de metal (que não por acaso tem seu reduto mais forte nos países nórdicos, seguido por Japão, Inglaterra e EUA), com a gentalha limitada que ouve os demais, excluindo talvez ouvintes de música erudita e jazz, que por sua vez são esnobes e pedantes.

    • Ahahahahahahaha – muito bom!!! “Esnobes”?! – “Econômico?!” – “Gênero?!”
      Enfim, há com cada um….

      • É curioso a grafia de Portugal para essas palavras, económico parece que tem um “ó” aberto, e o mesmo acontece com o “é” em género. O acento circunflexo busca a representação mais lógica para o som fechado dessas letras, por isso utilizamos esse formato no Brasil. De acordo com o acordo ortográfico as duas versões são aceitas.

    • Meu… tu passaste-te de vez…….. heavy metal… mais instruidas e poder aquisitivo ? LOLOLOL
      Opah… gandaaa lolololol
      Quem nao gosta é pobre e ignorante….

      Tens de deixar de fumar tanta droga pá

        • Até podem haver casos desses; talvez seja o seu, se compararmos com as médias das ditas músicas “populares”, brejeiras, também apelidadas de “pimba” e as excessivamente comerciais, de massas, e por aí fora.
          Agora, por exemplo, o FADO é patrímónio imaterial da humanidade; há algum género de HEAVY METAL que o seja?! Por favor!!! Baseia-se nestes estudos? Se calhar foi o Sr. que os escreveu!
          Para finalizar e correndo o risco de parecer pedante, que não sou, nem lhe digo o Q.I. que tenho, e não suporto essas músicas, a sonoridade fere-me os ouvidos. Para além de que as letras, enfim, se não instigam à loucura, pouco falta!!! (vejam-se os mais recentes suicídios e não só). Mas daí, a criticar quemgosta, quem ouve, quem vai aos concertos, etc., vai um grande passo. Seja mais tolerante e não ofenda as pessoas, chamando-as de “pobre e ignorante” – está no seu texto.

          • “Para finalizar e correndo o risco de parecer pedante, que não sou, nem lhe digo o Q.I. que tenho, e não suporto essas músicas, a sonoridade fere-me os ouvidos. Para além de que as letras, enfim, se não instigam à loucura, pouco falta!!! (vejam-se os mais recentes suicídios e não só).” – Maria João, devia tentar ao menos conhecer/compreender um pouco mais do género musical e não dizer clichés… isso revela ignorância…
            Heavy Metal não é para todos os ouvidos sim, pois a sua complexidade não é compreendida por todos, equipara-se e muito à música clássica, são os “equivalentes opostos” 🙂
            Quanto aos suicídios, as pessoas deprimidas suicidam-se por outros motivos e não porque ouvem metal, assim como se podiam suicidar ao ouvir outros estilos que falam dos males de amor… Quanto às letras, existe muito metal “positivo” por aí, basta ser-se conhecedor e procurar por tal, mas se se deixa influenciar por tão pouco, isso é de mente fraca. Além do mais, ouço metal pela complexidade musical, não pelas letras, assim como sou grande fã de música clássica! Muito bom metal por aí, há que separar o trigo do joio, como em tudo nesta vida.
            Já que o ZAP não me permite postar o link enviado anteriormente, procure no google por: ” science-reveals-something-surprising-about-metal-fans-and-classical-music-lovers”

        • Tens algum estudo feito por gente normal que suporte essa tua afirmação, ou foi apenas feita ao som dos Manowar e uma grade de minis ?

      • Blablabla, quem ouve fado são meia dúzia de Portugas, daí a necessidade de proteger de alguma forma, antes que o gênero desapareça. Heavy Metal tem uma legião de músicas consagradas pelo uso, não há a menor necessidade de criar um documento dizendo que elas são importantes – até porque um disco de platina fala por si só. Talvez em Portugal o nível cultural das pessoas seja muito próximo, por diversos motivos, mas convido-lhes a passarem uma semana no Brasil e garanto que voltarão com a certeza absoluta de que estou coberto de razão.

        • Fado ? Mas quem é que falou em Fado ? Estás a confundir as coisas.
          O tema em questao nao é diferente em país nenhum do mundo. E atenção que eu sou fã de heavy metal. Mas discordo completamente que tenha alguma coisa a ver com inteligencia. Até porque.. se for analisar… o resultado será bem o contrário do que dizes. Eu já frequentei muitos mas mesmo muitos concertos de metal. E vejo todo o tipo de pessoas. Se tivesse que haver um perfil de pessoas mais destacado.. nao seriam certamente os advogados e arquitectos

  2. Já agora vejam se acabam com aquelas músicas do tipo «(…) depois de ti mais nada (…)» porque essas embrutecem, imbecilizam e tornam os analfabetos diplomados e não diplomados mais ridiculamente analfabetos. É uma calamidade. Num chamado concerto em Guimarães, uma família de 14 pessoas (pai, mãe, filhos e filhas, genros e noras) largou 30 € por pessoa para ir ao tal concerto, ou seja, gastaram 520€ no total e alguns estão a receber o rendimento de inserção ou lá o que é. Isto é a pura miséria mental e moral. E faltam aqui as histórias dos festivais de coura (que pura e simplesmente deram cabo do rio do mesmo nome, onde outrora as trutas eram aos cardumes), de vilar de mouros, do oeste e do leste, etc., etc.

    • Bom dia.
      A situação que reporta é sintoma de algo mais profundo na nossa sociedade.
      Gasta-se o que se tem e o que não se tem em (eventuais) futilidades, talvez sinónimo de facilidade de acesso ao dinheiro.
      Privilegia-se a forma pelo conteúdo.
      É o resultado da manipulação maquiavélica do conhecimento/opinião desde há anos.
      Cumprimentos.

  3. Ao ZAP:
    Bom dia. Porque não está aqui o meu comentário de ontem ao Sr. Mateus Ribeiro, ácerca da LÍNGUA PORTUGUESA e a sua resposta para mim?
    Muito obrigada e melhores cumprimentos.

      • Caro ZAP, bom dia.
        Ontem respondi ao Sr. Mateus Ribeiro, sobre algumas palavras que usou no seu comentário, o 1º que aparece. Esse meu comentário era visível ontem, hoje já não. Assim como não aparece a resposta que o Sr. Mateus Ribeiro me deu e que reproduzo:
        “Mateus Ribeiro replied to Your comment on Heavy metal tem má reputação mas pode ter vários benefícios para a saúde. Comment content:

        É curioso a grafia de Portugal para essas palavras, económico parece que tem um “ó” aberto, e o mesmo acontece com o “é” em género. O acento circunflexo busca a representação mais lógica para o som fechado dessas letras, por isso utilizamos esse formato no Brasil. De acordo com o acordo ortográfico as duas versões são aceitas.”

        O meu comentário inicial não o consigo reproduzir; de qualquer modo, muito obrigada por me responderem e bom trabalho.

        • Cara leitora,
          Conseguimos identificar na base de dados o comentário do sr. Mateus Ribeiro, mas não aparece listado no artigo, nem nos pendentes, apagados ou bloqueados.
          Estamos a investigar em que buraco negro do ZAP os dois comentários se enfiaram 🙂

          • Caro ZAP,
            Ahahahahahahaha – tão bom, o que já me fizeram rir! Muito obrigada! Já apareceram… mas não fazia mal.
            Abraço a toda a equipa e bom trabalho! 🙂

  4. Concordo em absoluto consigo!
    Quanto aos festivais, em locais idílicos (ou que já o foram), é complicado.
    Por mim, existiam, mas com restrições. E não, nunca fui a nenhum nem a esses concertos de pagar €30 ou mais (muito mais), porque acho os preços exorbitantes, seja lá que género de música for!!!

  5. Ponham lado a lado um ouvinte de heavy metal, outro de faduncho e outro de música pimba e sabemos imediatamente quais é que andam na tasca a beber tinto e a falar de futebol e qual é que está em casa a ler Nietzsche ou Foucault.

    • Ai essas generalizações!…
      E os que “andam na tasca a beber tinto” e a falar de “Nietzsche ou Foucault”?
      O que ouvem?!
      Pois…

  6. Eu escuto heavy metal sempre, quando estou triste a música me tira a tristeza e me deixa calma, não gosto de músicas calmas, na maior parte das vezes elas me irritam ou me deixam inquieta, mas heavy metal me acalma, me alegra, mesmo não sendo letras positivas, quando estou irritada o som das guitarras com distorção me alivia a raiva, consigo desenvolver mais pensamentos com músicas extremamente agitadas do que com músicas calmas.
    O heavy metal não me trouxe nada ruim, apenas prazer com os ritmos e bem estar, além de uma enorme vontade de aprender a tocar guitarra.
    Nós dias ruins, o heavy metal me ajuda a aliviar a negatividade.
    A coisa que mais gosto de fazer é colocar meus fones com um dos heavy metal mais pesados que encontrar na internet, aumentar o volume até não conseguir mais fechar os olhos e ficar quieta escutando, não me importa onde ou quando, sempre faço isso.
    Não compreendo como não tem pessoas que não gostam do estilo musical, mas acho que é bom que tenham gostos diferentes no mundo, se tudo fosse igual não teria graça.

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