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Há pequenas “fogueiras” no Sol (e podem ajudar a desvendar um enorme enigma solar)

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A parte mais externa da atmosfera do Sol é quase mil vezes mais quente do que a superfície do Sol. Os cientistas podem estar cada vez mais perto de resolver esse mistério.

No ano passado, o Solar Orbiter da Agência Espacial Europeia (ESA) revelou a imagem mais próxima do Sol até então. Essas primeiras imagens trouxeram algumas descobertas emocionantes e inesperadas um ano antes do início da missão científica oficial.

O gerador de imagens ultravioleta extremo (EUI) da Solar Orbiter observou 1.500 pequenas erupções solares cintilantes, revelando-se um novo fenómeno, chamado “fogueiras”, próximo da superfície do Sol.

Agora, um novo estudo apresentado na Assembleia Geral da União Europeia de Geociências (EGU) sugere que, se o nosso entendimento dessas minúsculas chamas estiver correto, podem ser cruciais para aquecer a coroa solar.

A superfície do Sol tem temperaturas de 5.500°C, mas a sua corona – parte mais externa da atmosfera – atinge temperaturas de um milhão de graus centígrados.

Os cientistas ainda não sabem porque é que a coroa solar fica mais quente à medida que se distancia da superfície da estrela, mas o campo magnético do Sol é um candidato provável. Contudo, a forma como essa energia é gerada e transportada está em debate.

“O nosso modelo mostra que a energia libertada das iluminações através da ligação de componentes pode ser suficiente para manter a temperatura da coroa solar prevista a partir de observações”, disse Yajie Chen, investigador da Universidade de Pequim, em comunicado.

Chen publicou o seu estudo em abril na revista científica Astronomy and Astrophysics.

Um segundo estudo, também publicado no mesmo mês na revista científica Astronomy and Astrophysics, fornece mais informações sobre o que se sabe atualmente sobre as fogueiras.

Segundo a investigação, estas fogueiras tendem a durar entre 10 e 200 segundos e estender-se entre 400 e 4.000 quilómetros.

“Para nossa surpresa, as fogueiras estão localizadas bem abaixo da atmosfera solar, apenas alguns milhares de quilómetros acima da superfície solar, a fotosfera” disse o autor principal David Berghmans, principal investigador da EUI.

“É muito cedo e ainda estamos a aprender muito sobre as características da fogueira. Por exemplo, embora as fogueiras pareçam pequenos loops coronais, o seu comprimento é, em média, um pouco menor para a ua altura, sugerindo que vemos apenas parte desses pequenos loops. Mas a nossa análise preliminar também mostra que as fogueiras não mudam realmente a sua altura durante a sua vida”, continuou.

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A missão científica completa da Solar Orbiter vai começar em novembro deste ano, Como mais observações, o modelo de Chen pode ser testado e refinado e, com sorte, manter-se-á.

Se confirmada, esta pode ser uma peça-chave para resolver o quebra-cabeças da disparidade de temperatura do Sol.

Compreender estas fogueiras, o que as move e a sua relação com outros fenómenos solares ajudará os cientistas a aprofundar o conhecimento sobre a coroa solar.

  Maria Campos, ZAP //

 

 

2 Comments

  1. Se o Sol fosse quente então por que existe gelo em Mercúrio? Se o Sol fosse quente, então por que a temperatura entre o Sol e nós é fria? E se o Sol fosse apenas um gigantesco gerador de energia e partículas que ao entrarem em atrito com a atmosfera dos planetas geraria calor?

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