Há milhares de misteriosos buracos no fundo do mar da Califórnia

MBARI

Surgiu um novo mistério perto da costa de Big Sur, na Califórnia, no fundo do Oceano Pacífico: há milhares de pequenos fragmentos redondos retirados dos sedimentos do fundo do mar.

 

A descoberta foi feita como parte de uma investigação do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI) para estudar os recursos subaquáticos chamados pockmarks, que também são depressões no fundo do mar, mas um pouco maiores, com uma média de 175 metros de diâmetro e cinco metros de profundidade. Os pockmarks aparecem no sonar dos navio e são conhecidos desde 1999. Existem mais de 5.200 espalhados por 1.300 quilómetros quadrados de fundo do mar perto de Big Sur.

O que causa os buracos maiores também é desconhecido. Como a área está a ser considerada para ser um parque eólico offshore, foram necessárias mais investigações sobre eles. Uma das principais teorias é que os buracos são causados por gases como o metano sob o fundo do mar a borbulhar e a deixar uma depressão no seu rastro – e isso poderia afetar a colocação de turbinas eólicas.

A equipa da MBARI colocou os seus veículos subaquáticos autónomos, equipados com dispositivos de sonar, a trabalhar. Não encontraram evidências de metano e as marcas estão inativas há mais de 50 mil anos.

Porém, nos dados dos robôs, os cientistas viram outros buracos, demasiado pequenos para serem captados por um sonar de um navio. Os investigadores do MBARI encontraram cerca de 15 mil buracos com, em média, 11 metros de diâmetro e um metro de profundidade.

Ben Erwin / 2019 MBARI

A equipa chamou os buracos de “micro-depressões”. As micro-depressões parecem ser muito mais jovens do que as marcas e têm lados mais íngremes. Além disso, de acordo com o ScienceAlert, também têm “caudas” de sedimentos, que parecem estar orientados na mesma direção em muitas áreas.

Ainda não se sabe como é que os buracos se formaram, mas estas mini-depressões no fundo do oceano rapidamente se tornaram abrigos desejáveis populares entre as criaturas marinhas. Cerca de 30% dos buracos continham lixo humano, juntamente com peixes e outros animais marinhos que os transformaram no seu habitat.

Além do lixo encontrado, 20% continha pedras, restos de algas e um crânio de baleia – mas o sedimento em redor dos buracos estava vazio.

A equipa acha que os animais que residem no lixo podem estar a ajudar a reduzir ainda mais as micro-depressões.

De acordo com os investigadores, as micro-depressões não são pockmarks bebés, uma vez quer são morfologicamente distintas dos burcaos maiores. Além disso, os cientistas não encontraram evidências de atividade de gás no fundo do mar.

Em comunicado, Eve Lundsten, cientista marinha do MBARI, disse que “é preciso fazer muito mais trabalho para entender como todas estas características se formaram”, acrescentando que “esse trabalho está em andamento”.

A investigação foi apresentada no Fall Meeting 2019 da American Geophysical Union.

ZAP //

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