A gravidade influencia a maneira como tomamos decisões

Todo e qualquer organismo vivo na Terra evoluiu a longo de milhares de anos sob um campo gravitacional constante, com a gravidade desempenhando um papel fundamental no comportamento e na cognição humana.

Um estudo recente publicado na Aviation, Space, and Environmental Medicine afirma que a gravidade também influencia a maneira como tomamos decisões.

De acordo com os investigadores, o sistema nervoso central não possui sensores especializados para a gravidade, que é inferida através da integração de vários sinais sensoriais num processo chamado “graviception”. Este processo envolve visão, equilíbrio e informações das articulações e músculos, sendo que órgãos sofisticados dentro do ouvido interno são especialmente importantes nesse processo.

Na gravidade da Terra e com a cabeça ereta, pequenas “pedras” ficam perfeitamente equilibradas num fluido viscoso, mas quando movemos a cabeça, a gravidade faz o fluido mover-se, o que dispara um sinal ao cérebro informando que a cabeça já não está em pé.

A exposição à gravidade zero leva o nosso organismo a várias mudanças estruturais e funcionais e o estudo visa entender melhor como tudo isto pode afetar a capacidade de tomarmos decisões no ambiente espacial.

A humanidade está a preparar-se para visitar Marte pela primeira vez e é preciso entender a fundo como longos períodos em ambientes sem gravidade – ou com uma gravidade diferente da do nosso planeta – afetam não somente o corpo físico, como também a mente.

Os autores do estudo investigaram se as alterações na gravidade influenciariam a escolha entre um comportamento rotineiro e um totalmente novo, pedindo que os participantes produzissem sequências de números de maneira aleatória.

Sempre que os indivíduos ouviam um sinal sonoro, era preciso nomear um número entre 1 e 9, sem tempo para pensar ou contar. Esta tarefa exige que o cérebro suprima respostas de rotina e gere novas respostas.

Para entender esse processo num ambiente sem gravidade, os investigadores pediram que os participantes se deitassem no chão para mudar a orientação dos corpos em relação à direção da gravidade terrestre que nos “puxa” para baixo.

“Esta é uma manipulação laboratorial muito eficiente, que nos permite imitar alterações de sinais gravitacionais que chegam ao cérebro; na verdade, é uma maneira melhor de estudar os efeitos da gravidade do que enviar alguém para o espaço, porque quando estamos no espaço, também somos afetados pela falta de peso, radiação e isolamento — e pode ser difícil separar o efeito que a falta de gravidade terá”, explicou um dos autores.

Os resultados indicam que as pessoas são menos propensas a gerar novos comportamentos na ausência de gravidade e isso pode ser importante para o planeamento de futuras missões espaciais.

Astronautas vivem sob constante pressão, enfrentando desafios diariamente e decisões devem ser tomadas de forma rápida e eficiente. Deixar-se levar por uma preferência mental automática com opções rotineiras ou estereotipadas pode colocar a vida do astronauta em risco.

“A ausência de gravidade pode ser profundamente inquietante e pode comprometer os níveis de desempenho de várias maneiras. Isto sugere que os astronautas podem beneficiar de algum tipo de treino de aprimoramento cognitivo para ajudar a superar os efeitos da gravidade alterada no cérebro e para garantir missões espaciais tripuladas bem sucedidas e seguras”, concluem os investigadores.

ZAP // Canal Tech

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