Cientistas sugerem que os gorilas não batem no peito apenas para se exibir

Os cientistas sugerem que o ato de bater no peito permite aos gorilas machos sinalizar o seu tamanho e assim evitar brigas desnecessárias.

De acordo com o jornal The Guardian, cientistas que estudam gorilas-das-montanhas (Gorilla beringei beringei) consideram que, embora este gesto de bater no peito seja uma forma de se exibirem, também serve para passar informação honesta uns aos outros.

“Descobrimos que é definitivamente um sinal real e confiável – os machos estão a transmitir o seu verdadeiro tamanho“, disse Edward Wright, investigador do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, e co-autor do estudo publicado, a 8 de abril, na revista científica Scientific Reports.

A equipa estudou este comportamento em seis machos adultos que vivem no Parque Nacional dos Vulcões, no Ruanda. Em primeiro lugar, determinou a largura das costas de cada gorila a partir de uma fotografia. De seguida, filmou 36 episódios deste comportamento entre os seis animais e partiu para a análise das gravações.

Segundo o jornal britânico, os resultados da pesquisa revelaram que a duração das batidas no peito, o número de batidas e a taxa das batidas durante um episódio não estavam associadas ao tamanho do gorila. No entanto, quanto maior era o gorila, menor era a frequência do som produzido.

Os investigadores observaram que um corpo maior estava relacionado com aspetos como o sucesso reprodutivo (tanto em termos do número de fêmeas e de crias) e a posição social entre os outros machos.

Ou seja, o novo estudo sugere que bater no peito pode ser uma forma útil de os machos transmitirem o seu tamanho, o que poderia ajudá-los a conquistar parceiras e a evitar brigas potencialmente perigosas.

“O mais pequeno vê este comportamento e percebe: ‘Ok, tu és maior. Não adianta lutar contigo porque é muito provável que vá perder e me vá magoar. Isso não é bom para mim, então vou apenas recuar'”, explicou Wright.

Porém, o facto de os animais maiores terem sons de frequência mais baixa quando fazem este gesto continua a ser um mistério. “Pode ser o volume do peito, ou o tamanho da mão, ou uma combinação dos dois, pois provavelmente estão correlacionados”, disse o investigador.

Wright acrescentou ainda que bater no peito pode ser particularmente útil, uma vez que a densa vegetação do habitat faz com que nem sempre os gorilas consigam avaliar logo um macho à primeira vista: a batida pode ser audível a mais de um quilómetro de distância.

ZAP ZAP //

 

 

 

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