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Google terá pago à Apple para que se mantivesse fora do mercado dos motores de busca

As duas principais empresas de tecnologia do mundo têm negócios que as beneficiam reciprocamente, de forma a que as suas quotas de mercado não sejam ameaçadas com o aparecimento de possíveis adversárias. 

Por estes dias, é de conhecimento público que a Goggle paga anualmente uma quanta avultada à Apple para que a marca da maça use o seu motor de busca como opção padrão nos seus dispositivos – de acordo com alguns meios de comunicação social, em 2021 terá sido algo como 15 mil milhões de dólares.

No entanto, os negócios entre as duas gigantes da tecnologia não se ficam por aqui. Segundo relatos recentes, num processo judicial anti-concorrência, que deu entrada num tribunal da California, a Apple é acusada de dar uma vantagem injusta ao motor de busca da Google e de propositadamente não investir nessa área, de forma a evitar uma disputa direta com o aliado.

De acordo com o Gizmodo, no processo – onde a Apple, a Google e os respetivos diretores executivos constam como arguidos – não se faz referência ao valor exato pago à Apple por esta fiabilidade. No entanto, por base em gravações feitas durante “reuniões clandestinas“, onde o acordo teve lugar, este deve ascender a 50 mil milhões de dólares.

“Estes reuniões aconteceram para promover uma visão partilhada que a Apple e a Google iriam agir enquanto uma empresa única que se tinha fundido sem que a fusão tivesse realmente acontecido. “A Apple e a Google inventaram a palavra        ‘co-correncial’ para descrever a sua combinação e conspiração ilegal”, pode ler-se no documento.

O processo também alega que a Google concordou em partilhar uma fatia – até agora desconhecida – dos lucros resultantes dos anúncios – uma das maiores fontes de lucros para a empresa -, sendo esta outra das clausulas do acordo de não concorrência. No entanto, e para além de este acordo, há outras linhas no entendimento que têm revoltado possíveis competidores, nomeadamente a “supressão ativa” que a marca da maça faz de outros motores de busca (tais como o Bing ou o DuckDuckGo), de forma a beneficiar a Google no seu browser, o Safari, na Siri e no Spotlight.

Quando esta técnica não resultava, pode ler-se ainda no documento, as duas gigantes tecnológicas, em conjunto, adquiriam as empresas responsáveis por criar esses mesmos motores de busca para evitar que estas se tornassem famosas e ganhassem peso de mercado ao ponto de ameaçarem o seu domínio. De acordo com o site Gizmodo, que cita os documentos relativos ao processo, a Apple já fez mais de 120 negócios neste sentido e a Google mais de 247 nos últimos 22 anos.

“A Google já reconheceu há muito tempo que os seus rivais não serão capazes de competir com eles sem uma escala igualitária“, diz a ação judicial. “O acordo entre a Apple e a Google suprime a capacidade dos adversários da Google atingirem qualquer escala de significância que lhes permite competir contra a Google. Essa proibição económica seria eliminada caso o acordo entre a Apple e a Google fosse desfeito.

Como tal, uma das exigências feitas pelos queixosos tem que ver com a declaração de nulidade destes acordos “clandestinos” feitos ao longo das últimas duas décadas. É também pedido à Apple que devolva à Google toda a quantia recebida durante o acordo entre as duas empresas para que não produzisse o seu próprio motor de busca. O processo pede ainda a dissolução pela justiça dos acordos de não competitividade entre a Apple e a Google, no âmbito partilha de lucros e outro tipo de combinações que resulte num “tratamento preferêncial dos produtos da Google nos dispositivos da Apple.

Para além destes pontos, é ainda requerida a “erradicação da estrutura e do tamanho das marcas” envolvidas nas violações descritas, ou seja, a divisão da Apple e da Google em empresas mais pequenas – algo que já tem precedente na jurisdição dos Estados Unidos, com o processo de 1911 contra a petroleira Standard, a qual foi dividida, por decisão dos tribunais, em 34 novas entidades.

  ZAP //

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