Futuro dos transplantes passa pelos órgãos geneticamente modificados

O antigo cirurgião Alexandre Linhares Furtado, responsável pelo primeiro transplante hepático com sucesso em Portugal, realizado há 25 anos em Coimbra, acredita que o futuro da transplantação passa pela criação de órgãos geneticamente modificados.

“Hoje já se faz clonagem e é possível um dia fazerem-se clonagens e a modificação genética de células do fígado do próprio doente, e criar, por vários métodos, um fígado que possa ser implementado a partir de um animal”, disse o médico, de 84 anos, à agência Lusa.

Alexandre Linhares Furtado liderou em 26 de outubro de 1992 a equipa que efetuou o primeiro transplante hepático com sucesso.

“O que eu esperaria que nesta altura fosse uma realidade era a utilização de fígados de animais”, defende, explicando que o porco, “por variadíssimas razões, foi o animal mais escolhido, por ser mais parecido em certas condições com o fígado do ser humano”.

Em medicina, sustentou, “estas coisas demoram muito tempo, porque a passagem de experiências do animal para o homem requer muitas décadas e muito cuidado”. O antigo cirurgião fala em avanços técnicos muito grandes nestes 25 anos, com critérios “muito mais apertados e resultados que melhoraram muito”.

“As indicações para transplante estão muito melhor definidas, há muita patologia hepática que transplantávamos na altura e que reduziu o número de doentes e o aproveitamento de órgãos de cadáveres é melhor”, explicou.

“Na transplantação, hoje é vulgar que centros que não arrisquem muito em doentes de alto risco tenham resultados de 90% de sobrevida. Quando comecei, tínhamos uma sobrevida de 78 a 80%, com muita mortalidade, pois transplantávamos casos que hoje seriam oficialmente recusados“, acrescentou.

Linhares Furtado foi também o primeiro cirurgião português a realizar o primeiro transplante de órgão em Portugal, em 20 de julho de 1969, quando não havia lei, tendo transplantado um rim de um dador vivo, da irmã do doente.

Sobre a atual lei da transplantação, o médico salientou que se tratou de uma legislação “muito à frente no tempo”, que motivou também a criação dos centros de transplantação. “Foi um passo muito grande e, é curioso, não foi muito discutido. Só este ano, em janeiro, é que a França o adotou”, disse.

A lei de 1993, que começou a ser trabalhada em 1991, é inovadora, ao aplicar o princípio da solidariedade presumida e ao criar o registo de não dadores, para as pessoas que não desejam doar órgãos após a morte.

Os nossos indicadores de transplantação eram muito maus em 1991. Eram péssimos e melhoraram bastante, quer na colheita de órgãos, em que passámos a ser um dos melhores países a nível de colheita e transplantação”, lembra José Martins Nunes, antigo secretário de Estado da Saúde.

“Julgo que só somos superados pela Espanha e por mais um ou outro país”, salientou o antigo secretário, um dos responsáveis pela Lei da Transplantação aprovada por unanimidade na Assembleia da República em 1993.

// Lusa

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