O fim dos neandertais pode estar relacionado com a inversão dos pólos magnéticos da Terra

NASA Goddard / Flickr

Conceito de artista do Campo Magnético da Terra

A extinção dos neandertais pode estar relacionada com o colapso temporário dos polos magnéticos da Terra há 42 mil anos, sugere um estudo da Universidade australiana de Nova Gales do Sul e do Museu da Austrália Meridional.

Em comunicado, a equipa explica que o colapso temporário do campo magnético da Terra há 42 mil anos desencadeou uma série de mudanças climáticas que, por sua vez, levaram a mudanças ambientais e extinções em massa.

Este ponto de viragem na história do nosso planeta, que produziu tempestades elétricas, auroras generalizadas e radiação cósmica, foi desencadeado pela reversão dos polos magnéticos da Terra e mudança nos ventos solares.

No estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na Science, os cientistas batizam este período como “Evento Adams” e sugerem que poderá explicar mistérios evolutivos, como a extinção dos neandertais ou o repentino surgimento de arte figurativa em todo o mundo, considerando que os humanos tiveram de procurar novos refúgios.

“Pela primeira vez, fomos capazes de datar com precisão o tempo e os impactos ambientais da última chave magnética do polo”, explicou Chris Turney, professor da Universidade de Nova Gales do Sul e coautor do estudo, citado em comunicado.

“As descobertas foram possíveis graças às antigas árvores Kauri da Nova Zelândia, que foram preservadas em sedimentos por mais de 40 mil anos (…) Usando as árvores antigas, pudemos medir e datar o pico nos níveis de radiocarbono atmosférico causado pelo colapso do campo magnético da Terra”, acrescentou.

Os investigadores compararam essa escala do tempo com registos de lugares de todo o Pacífico e elaboraram modelos climáticos globais para descobrirem que o crescimento das camadas de gelo e dos glaciares da América do Norte e as grandes alterações nos ventos e sistemas de tempestades tropicais podem remontar ao Evento Adams.

Uma das primeiras pistas foi a que indica que a megafauna da Austrália continental e da Tasmânia sofreu uma extinção simultânea há 42 mil anos.

É a descoberta mais surpreendente e importante em que já estive envolvido”, remata o professor Cooper do Museu da Austrália Meridional.

O campo magnético da Terra, recorde-se, funciona como um “escudo”, protegendo o planeta dos raios solares e cósmicos. Quando os polos invertem, este “escudo protetor” pode diminuir até um décimo a sua capacidade protetora.

Apesar de poder demorar séculos, as radiações acabariam por atingir a superfície terrestre, tornando as regiões inabitáveis e causando a extinção de espécies.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. A extinção da megafauna da Austrália também coincide com o aparecimento de seres humanos no continente. Por “acaso” desapareceram logo de seguida. Não me parece que a alteração dos polos magnéticos tenha nada a ver, tal como nada aconteceu nas “milhentas” vezes em que os polos se inverteram.

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