FC Porto 1-1 SL Benfica | “Águia” deixa escapar clássico de duas faces

O grande “clássico” do Dragão, entre Porto e Benfica, deu em empate 1-1. Nenhuma das equipas conseguiu, assim, tirar partido do empate do Sporting em casa com o Rio Ave, mantendo-se tudo na mesma no topo da tabela da Liga NOS.

Este foi um jogo que arrancou muito bem disputado, intenso, acabando por sucumbir um pouco, já na segunda parte, à medida que as faltas e quezílias foram ganhando peso. As estatísticas finais mostram que a formação “encarnada” esteve melhor, e já o estava a ser mesmo quando, pouco depois dos 70 minutos, Mehdi Taremi viu vermelho directo. Os visitantes criaram os melhores lances de ataque, mas acabaram por ser ineficazes e não converteram a superioridade numérica em lances de perigo. Álex Grimaldo e Taremi foram os marcadores dos golos.

O jogo explicado em números

  • Sérgio Conceição só mexeu nas posições a que foi obrigado, com os indisponíveis Manafá e Otávio (ambos com Covid-19) e ficarem de fora, entrando Nanu e Luis Díaz. A grande surpresa veio do lado benfiquista, com Jorge Jesus a deixar Everton “Cebolinha” no banco e a apostar na entrada de Nuno Tavares, subindo Álex Grimaldo para o lado esquerdo do meio-campo.
  • O Porto começou por cima, impositivo e a atacar por todos os lados, e aos sete minutos, Mateus Uribe fez o primeiro remate enquadrado, para defesa de Vlachodimos. Respondeu o Benfica aos oito, com Darwin Núñez a fugir pela esquerda e a servir Haris Seferovic. O suíço atirou por cima, num bom lance de ataque.
  • O primeiro quarto-de-hora mostrava isso mesmo. Um “dragão” a querer assumir o jogo, um Benfica a tentar explorar as costas, em especial dos laterais do Porto, que subiam muito no terreno. Os homens da casa registavam, nesta fase, 62% de posse de bola e o único remate enquadrado, em dois. As “águias” tinham um disparo, sem a melhor direcção. Mas tudo mudou pouco depois.
  • Aos 17 minutos, jogada de combinação “encarnada” e Seferovic deixou para o “extremo” Grimaldo. O espanhol entrou na grande área e marcou perante Marchesín, ao primeiro remate enquadrado dos benfiquistas no encontro. A aposta táctica de Jorge Jesus ia dando resultado.
  • Contudo, os “azuis-e-brancos” responderam aos 25 minutos. Jesús Corona fugiu pela esquerda, serviu atrasado Mehdi Taremi e este, sem marcação, rematou para o 1-1 – a bola ainda desviou em Moussa Marega. Dois remates enquadrados em três e o tento portista, num jogo muito animado, interessante tacticamente e com duas equipas à procura do golo.
  • Prova disso aos 29 minutos, com uma grande oportunidade para o Benfica, a concluir por Darwin uma excelente jogada de ataque, que embateu no poste esquerdo da baliza de Marchesín. E o jogo prosseguia emocionante, com o Benfica a chegar à meia-hora com mais um remate (5-4), mas menos um enquadrado (1-2) e equilíbrio na posse de bola (51%-49%).
  • O melhor nesta fase era Taremi, com um rating de 6.0, com marcado, quatro acções com bola na área benfiquista e só um passe errado em seis. Do lado visitante, Grimaldo destacava-se, com 5.8, ele que fez também um golo, auxiliava Nuno Tavares no flanco esquerdo e fechava no meio.
  • Nos instantes finais do primeiro tempo o Benfica esteve melhor, com mais bola e a criar diversos lances de perigo. Primeiro Darwin, em boa posição para marcar, permitiu grande defesa de Marchesín, e a seguir, após cruzamento da direita, o uruguaio falhou a emenda, não conseguindo sequer tocar na bola.
  • Grande primeira parte no Dragão, com um jogo intenso, de luta e com duas equipas a atacarem e a construírem lances de perigo, ambas com “nuances” tácticas muito interessantes. O Porto começou melhor, mas aos poucos o Benfica começou a equilibrar e marcou, por Grimaldo, antes de permitir o empate por Taremi. As “águias” acabaram a primeira metade por cima, a criarem os melhores lances de envolvimento e os momentos de maior perigo, terminando com expected goals (xG) superiores. O melhor nesta fase era Grimaldo, com um GoalPoint Rating de 6.4. O espanhol fez o golo “encarnado”, cumpriu bem a função de apoiar Nuno Tavares na tentativa de anular Corona (que se viu obrigado a surgir noutras zonas do terreno) e fechou bem no meio, apresentando também uma ocasião flagrante criada.

Estela Silva / Lusa

Gilberto, jogador do Benfica, com Zaidu, do FC Porto, no clássico no Estádio do Dragão

  • Jogo algo quezilento no arranque do segundo tempo, com muitas faltas e paragens. Mas aos 62 minutos, o Benfica voltou a estar perto de marcar, com Rafa Silva na pequena área a rematar para grande intervenção de Marchesín, a evitar um golo certo. O Benfica estava por cima e, nos primeiros 15 minutos do segundo tempo, registou 68% de posse e o único remate enquadrado, precisamente o de Rafa.
  • A resposta do Porto surgiu aos 70 minutos, com Marega, na área, a cabecear para enorme defesa de Vlachodimos. Aos poucos o jogo voltava a ganhar emoção e lances de perigo. Até que aos 72 minutos, e após consulta do VAR, o árbitro mostrou cartão vermelho directo a Taremi, por entrada perigosa sobre Otamendi. Ainda faltava muito jogo e o “dragão” via-se em inferioridade numérica.
  • Ainda assim foi Marega, na área, a estar perto de marcar aos 76 minutos. Isto numa altura em que o Benfica tinha todas as condições para consolidar o domínio territorial – desde o intervalo tinha 69% de posse, mas quem tinha mais remates era o Porto, três contra um, e dois enquadrados. Em termos globais, a “águia” registava 25 acções com bola na área do Porto, e os “dragões” 16 do outro lado.
  • Com dez elementos, o Porto recuou e como que “aceitou” o domínio territorial do Benfica, sendo raro os momentos em que se conseguiram soltar para o ataque. Em contraponto, os “encarnados” insistiram no ataque em busca da vitória, mas encontraram uma defesa muito sólida por parte do Porto, não descobrindo espaços para finalizar.

O melhor em campo GoalPoint

O espanhol foi uma das grandes surpresas de Jorge Jesus para este jogo, não pela titularidade, mas pela posição que ocupou em campo. Grimaldo jogou a médio/extremo-esquerdo, numa tentativa de ajudar Nuno Tavares (o lateral) e cobrir a zona central do terreno. E correu bem a opção. Álex foi o melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 7.2, autor do golo do Benfica, registando, igualmente, três passes para finalização, quatro passes ofensivos valiosos (a menos de 25 metros da baliza), mas também cinco acções com bola na grande área e dois duelos aéreos ofensivos ganhos em três.

Jogadores em foco

  • Mateus Uribe 6.6 – O médio colombiano é cada vez mais fundamental neste Porto e foi o melhor “dragão” sobre o relvado. Ofensivamente o destaque vai para dois remates, um enquadrado (o primeiro da partida), mas foi defensivamente que brilhou, com todos os três duelos aéreos defensivos ganhos, quatro desarmes e cinco intercepções (máximo do jogo).
  • Agustín Marchesín 6.4 – O guardião argentino teve trabalho perante a maior pressão ofensiva dos “encarnados” e terminou com três defesas, todas a remates na grande área, uma delas a negar golo quase feito a Rafa.
  • Sérgio Oliveira 6.2 – Desta vez não houve golo de Sérgio, mas o médio foi um mouro de trabalho. Somou 11 recuperações de posse, o máximo do jogo, e ainda três desarmes. Pecou no passe, com dez falhados em 29.
  • Odysseas Vlachodimos 6.2 – Tal como Marchesín, esteve bem quando foi chamado a intervir, terminando com as mesmas três defesas do seu opositor, duas a remates na grande área, uma a negar excelente cabeceamento de Marega.
  • Nicolás Otamendi 6.1 – O argentino regressou ao Dragão, agora como adversário, e esteve em bom plano. Completou 80% dos passes que fez, ganhou quatro de cindo duelos aéreos defensivos e realizou quatro desarmes.
  • Darwin Núñez 5.2 – A sua velocidade, movimentação e qualidade técnica estão lá, mas nem sempre decide bem. Em quatro remates (máximo do jogo) enquadrou apenas um, acertou uma vez no poste, fez cinco passes valiosos, somou nove acções com bola na área, mas desperdiçou uma ocasião flagrante de golo.
  • Moussa Marega 4.6 – O maliano teve a pior nota da noite. Esforçado, enquadrou os dois remates que fez, ganhou sete de dez duelos aéreos ofensivos e sofreu cinco faltas, mas desperdiçou uma ocasião flagrante e um xG de 0,7, quase todo o registado pelo Porto (1,0).

Resumo

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