Falta de obstetras afeta assistência a partos de risco

O número de especialistas de ginecologia e obstetrícia é cada vez mais crítico no Serviço Nacional de Saúde, devido à falta de contratação de profissionais.

O défice de especialistas de ginecologia e obstetrícia no Serviço Nacional de saúde (SNS) tornou-se “crónico”, colocando as equipas a ser geridas em “modo crise”. Estas férias, avança o Público, é provável que alguns serviços possam mesmo deixar de receber casos mais complicados.

A Ordem dos Médicos aponta como principal problema o facto de o envelhecimento dos especialistas não estar a ser acompanhado por novas contratações.

João Bernardes, presidente do colégio da especialidade em ginecologia/obstetrícia da Ordem dos Médicos, refere que quase todos os hospitais estão “sempre em cima do limite” mínimo para manterem a qualidade dos cuidados e para que a Ordem lhes reconheça capacidade para formar novos obstetras.

O jornal refere que, no ano passado, havia 753 especialistas nos quadros dos 32 serviços onde se faz formação base, mas seriam necessários mais 71 para garantir um serviço de qualidade.

Há ainda unidades de cuidados diferenciados – que recebem partos complicados – que podem reduzir a sua assistência devido à falta de profissionais, sendo necessário reencaminhar grávidas para outros centros de referência. Em último caso, são chamados colegas de outras especialidades para manter as salas de parto abertas.

Mas o problema agrava-se em período de férias de Verão.

Uma parte significativa dos especialistas em mais de 50 anos (idade a partir da qual está dispensado de trabalhar à noite) e muitos têm já 55 (altura em que podem deixar de fazer qualquer tipo de urgência).

O problema, aponta João Bernardes, é que “não se contratou ninguém durante dez, 15 anos” o que significa que há “os mesmos 20 especialistas num serviço médio (com 2000 partos por ano)”, metade dos quais já não deveria fazer urgências.

O presidente do colégio da especialidade em ginecologia/obstetrícia da Ordem dos Médicos refere que a “humanização cai por terra“. “Se tivermos duas pessoas, em vez de quatro, para assistir a cinco partos por dia, obviamente haverá metade da atenção a cada grávida.”

O diário adianta que há muitos hospitais que têm cinco ou oito profissionais quando a Ordem prevê um mínimo de 16, e isso reflete-se na “sobrecarga dos mais novos” ou no “esforço” dos mais velhos.

Exemplo disso é o hospital de Tondela-Viseu, com uma média de .300 partos por ano. Dos 25 obstetras de que dispõe, “cerca de 14″ têm mais de 50 anos e fazem serviço de urgência de forma voluntária. Se não o fizessem, o diretor de ginecologia e obstetrícia, Francisco Nogueira Martins, não saberia “como aguentar este serviço”.

O responsável da Ordem dos Médicos refere ainda que, caso não haja contratação nos próximos cinco anos, “não teremos ninguém para fazer urgência”.

ZAP //

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