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Facebook criou um mapa detalhado que pode ajudar a distribuir bens essenciais em África

O Facebook desenvolveu um mapa de alta resolução da densidade populacional de quase todo o continente africano, contribuindo assim para um dos maiores desafios atuais da ajuda humanitária: entregar bens essenciais às pessoas que mais precisam.

Vacinas, inseticidas que combatem doenças e novos avanços na tecnologia solar podem ajudar as pessoas dos países em desenvolvimento a manterem-se mais saudáveis ​​e terem uma vida melhor. Mas para isso é preciso localizá-las. Em muitos lugares, pequenas comunidades estão espalhadas por um terreno vasto e relativamente inexplorado.

O mapa criado pelo Facebook tem o intuito de auxiliar nessa localização. Além de ser “uma demonstração do imenso poder computacional e de processamento da empresa”, esta é “uma maneira de ajudar os serviços de telecomunicações a levar uma Internet mais rápida para o continente, o que significa mais utilizadores da rede social”, indica um artigo do Fast Company, divulgado na segunda-feira.

Segundo a notícia, a esperança mais imediata é compartilhar essas informações com grupos sem fins lucrativos e organizações de ajuda que trabalham em áreas como controle de doenças e preparação para desastres.

“Uma densidade populacional precisa forma, indiscutivelmente, a espinha dorsal de qualquer intervenção do setor público ou serviço social”, disse Laura McGorman, responsável pelas políticas públicas da divisão ‘Data for Good’ do Facebook. “As organizações que trabalham com uma variedade de intervenções de assistência externa e de alívio da pobreza terão agora mapas muito mais precisos para realizar o seu trabalho”.

Para criar o mapa, a empresa utilizou imagens de satélite disponíveis comercialmente, que ampliou bastante. Ao invés de olhar para enormes extensões de terra de uma só vez, dividiram-se as áreas inteiras em mil milhões de seções de 30 por 30 metros, e criou-se um programa para então digitalizar as informações em busca de pistas, como um telhados de casas ou de prédios.

De acordo com o Fast Company, o mapa não usa informações de contas da rede social e mantém o anonimato dos residentes.

United Nations Photo / Flickr

Subdividiram-se 16 milhões de quilómetros quadrados em mil milhões de fotografias, cada uma de uma área do tamanho de um campo de softball. As imagens aéreas vieram da empresa Digital Globe. Sabendo onde as pessoas viviam, combinou-se isso com dados do censo para descobrir quantas pessoas poderiam realmente estar nessas moradias.

Essa informação, por sua vez, veio do Centro para a Rede Internacional de Informação sobre Ciências da Terra da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, que reúne diferentes de medições populacionais de organizações governamentais e de pesquisa para estimar a quantidade de pessoas a viver em diferentes partes dos países.

Os mapas e as populações do censo cruzam-se entre si. Os primeiros são bons para identificar os lugares onde as pessoas vivem, mas não quantas pessoas aí moram. Os dados do censo em lugares em desenvolvimento, embora rudimentares, são bons a indicar quantas pessoas residem numa área, mas não os locais exatos.

Combinando os dois, cria-se um “‘layout’ residencial decente”, conseguindo-se saber quantas pessoas serão encontradas pelas organizações nesses locais e as características geográficas importantes sobre as cidades, o que ajuda nas decisões sobre o tipo e a quantidade de material que deve ser transportado para as mesmas.

“O que fazemos é encontrar locais com edifícios. Para terem uma boa aproximação, as pessoas vivem em prédios e não em campos, florestas e montanhas. Então, ao invés de colocar as pessoas no distrito censitário em todos os lugares, só as colocamos onde existem edifícios”, explicou James Gill, engenheiro do Facebook envolvido no projeto.

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Os voluntários que trabalham nas organizações “obviamente sabem disso intuitivamente. Os mapas os ajudam a estar mais preparados e a garantir que ninguém seja esquecido”, refere o artigo do Fast Company.

O resultado deste projeto funciona como um roteiro com endereços aproximados para 1,2 mil milhões de pessoas no continente africano e baseia-se numa iniciativa anterior de mapeamento por parte da empresa.

Bruno Brioni / UNICEF

Nos últimos anos, o Facebook criou mapas populacionais detalhados para 22 países, como parte do seu esforço contínuo em levar a Internet para todo o mundo. Ao mesmo tempo, esses dados foram imensamente úteis para a empresa e para grupos humanitários.

Com um mapeamento mais detalhado do Malawi, o Missing Maps Project e a Cruz Vermelha conseguiram executar campanhas direcionadas contra o sarampo e a rubéola. Como relatou o Facebook, 97% do país é desabitado. Concentrando-se estrategicamente no pedaço onde as pessoas vivem, com recurso a ‘layouts’ das ruas, uma equipa de três mil voluntários, por exemplo, conseguiu visitar 100 mil residências em três dias.

Na Tanzânia, onde menos de um terço da população tem poder, a Humanitarian OpenStreetMap trabalhou com um conjunto diferente de colaboradores para descobrir os pontos mais eficientes para adicionar fontes de energia renováveis ​​descentralizadas.

As informações do Facebook ajudaram os responsáveis a descobrir exatamente as pessoas que não estavam cobertas pela grade existente e quantas poderiam estar em cada comunidade, de forma a identificar os lugares com maior necessidade imediata.

A partir daí, os organizadores puderam viajar de porta em porta para entrevistar as pessoas sobre que tipo que tipo de soluções pretendiam. É o tipo de trabalho que os grupos de ajuda teriam que fazer de uma maneira mais desorganizada e trabalhosa, acrescenta o Fast Company.

O Facebook revelou ainda que outros grupos, como os Médicos Sem Fronteiras, a Fundação Bill e Melinda Gates e o Banco Mundial beneficiaram com os seus mapas. Este último confirmou que as estimativas são, de facto, precisas.

  TP, ZAP //

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