Vídeos de suicídios, abortos ou abusos sexuais. Ex-moderadora do YouTube descreve pesadelo (e processa plataforma)

Uma ex-moderadora do YouTube apresentou uma queixa contra a plataforma na segunda-feira, acusando-a de não proteger os funcionários que são sujeitos a uma análise e remoção de vídeos violentos publicados na página.

O processo contra o YouTube descreve que a ex-trabalhadora da empresa foi obrigada a assistir a assassinatos, abortos, abusos sexuais de crianças, mutilações de animais e até suicídios.

De acordo com o processo, a ex-moderadora, conhecida como “Jane Doe”, trabalhou para o YouTube através da empresa Collabera, entre 2018 a 2019, e conta que teve pesadelos, ataques de pânico e até incapacidade de comparecer em sítios com muita gente, devido ao conteúdo violento a que assistia enquanto estava a colaborar com a empresa.

A maior parte dos moderadores de conteúdo permanecem na função por menos de um ano, e a empresa está sempre “com falta de pessoal”, por isso os trabalhadores acabam por ficar horas extras, excedendo assim o limite de visualizações diárias recomendadas. Apesar das exigências do cargo que executavam, os moderadores do YouTube tinham pouca margem para erro, esclarece o processo.

No documento judicial pode ainda ler-se que os “treinadores do bem-estar” do YouTube não tinham orientação médica, alegando que os trabalhadores tiveram que pagar pelo o seu próprio tratamento quando procuraram ajuda profissional.

Tendo em conta o que diz na queixa apresentada, a empresa espera que cada moderador analise entre 100 e 300 peças de conteúdo de vídeo por dia, com uma “taxa de erro” de dois a cinco por cento. O processo surge precisamente num momento em que os moderadores de empresas de media social têm vindo a falar cada vez mais sobre o preço que o trabalho tem na sua saúde mental.

O YouTube tem milhares de moderadores de conteúdo e muitos trabalham para empresas terceirizadas, como é o caso da Collabera, Vaco e Accenture. Joseph Saveri Law Firm, uma empresa com sede em San Francisco, que representa os moderadores, entrou com um processo semelhante contra o Facebook em maio, o que resultou num acordo de 52 milhões de dólares (cerca de 44 milhões de euros).

O Google, empresa que controla o YouTube, enfrenta uma pressão cada vez maior para controlar o conteúdo que apresenta violência e desinformação – especialmente numa altura em que se aproximam as eleições de 2020 nos EUA.

Segundo a BBC News, nem o YouTube nem o Collabera se quiseram pronunciar sobre o assunto.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Mas como é que o YouTube vai proteger os moderadores? Teriam que ter outros moderadores a visualizar o conteúdo primeiro e a agirem como um primeiro filtro, por forma a que determinado conteúdo não chegasse a estes moderadores… Infelizmente, o trabalho de moderadores de conteúdo é o que é, e não é para todos. E processar o YouTube porquê exactamente, quando estes moderadores nem trabalham para o YouTube? Quanto muito, podem processar a empresa para quem trabalham.

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