Ex-ministro grego Yanis Varoufakis pede boicote à “black friday” da Amazon

Valda Kalnina / EPA

O economista Yanis Varoufakis

O economista e ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis pediu um boicote de um dia à Amazon, na ‘black friday’, enquanto sindicalistas, ativistas ambientais, defensores da privacidade e da justiça tributária planeiam ações coordenadas contra os sites da empresa e a cadeia de abastecimento.

O sucesso da Amazon durante a pandemia aumentou o preço das ações da empresa e a riqueza pessoal do seu diretor-executivo, Jeff Bezos, já o mais rico do mundo homem. A Bloomberg estima que a sua riqueza atual seja de 187 mil milhões de dólares (157 mil milhões de euros), avançou o Guardian.

Em vídeo, Varoufakis pediu aos utilizadores para “nem mesmo para visitar” o site da Amazon na ‘black friday’ – o dia mais lucrativo do ano neste setor -, que ocorre esta sexta-feira, 27 de novembro.

“Ao boicotar a Amazon, estará adicionando a sua força a uma coaligação internacional de trabalhadores e ativistas. A Amazon não é uma mera empresa. Não é apenas uma megaempresa monopolística. É muito mais e muito pior do que isso. É o pilar de um novo tecno-feudalismo”, afirmou.

Sob a bandeira de “fazer a Amazon pagar”, as ações desta sexta-feira pretendem ser o início de uma campanha contra o histórico da empresa relativamente a direitos dos trabalhadores, impacto ambiental, evasão fiscal, trabalho com as autoridades de imigração e invasão de privacidade através de dispositivos ligados à Internet.

A campanha foi criada pela Progressive International, uma iniciativa global que reúne grupos de esquerda progressistas, políticos e intelectuais, incluindo Varoufakis, o cientista Noam Chomsky, o democrata Bernie Sanders, e a UNI Global, uma federação sindical que representa 20 milhões de trabalhadores.

“Corporações de biliões de dólares como a Amazon têm muito poder e são grandes demais para um único governo, sindicato ou organização controlar. É por isso que trabalhadores, cidadãos e ativistas se estão a reunir além fronteiras”, disse Casper Gelderblom, líder da campanha da Progressive International.

As primeiras ações ocorrerão em Sydney, na Austrália – com protestos nas instalações da Amazon -, em Bangladesh, no Brasil, na França, na Índia, em Itália, no Luxemburgo, nas Filipinas, na Polónia, na Suécia e nos Estados Unidos.

Na Alemanha, o sindicato Verdi organizou greve de três dias nos armazéns da Amazon, exigindo melhores salários e condições de trabalho. No Reino Unido, onde os protestos são efetivamente proibidos pelos regulamentos do coronavírus, os membros do GMB farão uma manifestação ‘online’.

“Estas são afirmações enganosas, de grupos mal informados ou com interesses próprios, que estão a usar o perfil da Amazon para promover as suas causas individuais. A Amazon tem um forte histórico de apoio aos funcionários, clientes e comunidades, incluindo o fornecimento de condições de trabalho seguras, salários competitivos e grandes benefícios, liderando as mudanças climáticas com o compromisso do Climate Pledge de ter carbono zero líquido até 2040 e pagando bilhões de libras em impostos em todo o mundo”, declarou um porta-voz da Amazon em reação à campanha.

  ZAP //

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