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Evergrande obrigada a demolir apartamentos na ilha artificial de Hainan após investigação à licença de construção

Alex Plavevski / EPA

O projecto já estava envolto em polémica desde 2017, quando uma investigação deu conta do impacto ambiental dos prédios nos recifes de coral e no habitat das ostras.

A situação frágil da gigante imobiliária chinesa Evergrande sofreu mais um golpe na imagem pública depois das autoridades da ilha de Hainan, no sul da China, terem ordenado a demolição de 39 blocos de apartamentos nos próximos 10 dias no meio de uma investigação às autorizações de construção do projecto.

As vendas de acções da Evergrande foram suspensas na segunda-feira após notícias dos media locais darem conta de que o governo de Danzhou tinha ordenado a demolição dos prédios na ilha artificial de Hainan, depois de determinar que as aprovações para as construções não eram válidas, revela o Washington Post.

A empresa emitiu um comunicado no mesmo dia a confirmar as informações e a esclarecer que a ordem só afecta uma parte do projecto Ocean Flower Island, sem interferir com os 60 567 apartamentos já terminados e com donos e com outros 628 que já estavam pagos mas que ainda estão a ser construídos.

A Evergrande pode ainda pedir uma reconsideração administrativa que pode adiar o processo de demolição. Nos últimos 12 anos, a imobiliária investiu quase 11.5 mil milhões de euros no arquipélago artificial. Nem a empresa nem as autoridades especificaram o que levou à revogação das autorizações, mas o projecto já está envolto em polémica desde 2017.

Na altura, uma investigação revelou que a construção tinha causado danos nos recifes de coral e colocado em risco o habitat das ostras produtoras de pérolas – uma espécie protegida.

Depois de uma suspensão breve, foi permitida a continuação do projecto, mas desde então que Hainan tem reforçado a política de protecção ambiental, tendo havido também uma purga aos responsáveis que assinaram contratos sem terem em conta as análises ao impacto no ambiente. O exemplo vem também do Governo central do Partido Comunista da China, que tem priorizado a política ambiental nos últimos anos.

As ilhas artificiais têm um formato a imitar as folhas da buganvília, uma flor característica da província, e são um projecto que demonstra os avanços no sector imboliário chinês nos últimos anos. Além de apartamentos, há um salão de ópera, hóteis de luxo, escritórios, museus e um parque temático.

O Ocean Flower Island abriu em 2020 e é agora a maior ilha artificial turística do mundo, sendo o maior projecto deste género desde a inauguração do arquipélago Palm Island em 2009 no Dubai.

A polémica em torno das construções da Evergrande surge numa fase em que a empresa está em maus lençóis devido às dificuldades de liquidação da sua enorme dívida de 260 mil milhões de euros, um valor maior do que a economia portuguesa.

O sector imobiliário foi o principal motor do milagre económico chinês, com um crescimento baseado na contração de empréstimos para se continuar a construir. No entanto, a bolha rebentou no ano passado e a possibilidade da empresa mais endividada do mundo não conseguir honrar os pagamentos dos juros fez soar alarmes nos mercados mundiais.

A situação chegou até a ser comparada com a queda do grupo Lehman Brothers, que desencadeou a crise financeira de 2008, mas os especialistas apelaram à calma, na esperança de que o Governo chinês estendesse a mão à Evergrande caso a situação se complicasse até esse ponto.

Depois de ter conseguido várias vezes pagar os juros no limite do prazo antes de entrar em default – quando o atraso no pagamento já é maior que 30 dias – a empresa acabou mesmo por entrar em incumprimento em Dezembro.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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