Estudo de asteroides “gémeos” reforça teoria do Planeta Nove

R. Hurt (IPAC) / Caltech

O Planeta X (ou Planeta 9) será um gigante gasoso semelhante a Úrano e Neptuno

O Planeta X (ou Planeta 9) será um gigante gasoso semelhante a Úrano e Neptuno

As propriedades dinâmicas de dois asteroides, observados pela primeira vez através do Gran Telescopio CANARIAS, sugerem uma possível origem comum e trazem novas pistas sobre a existência de um planeta no Sistema Solar exterior, o chamado “Planeta Nove”.

Há vários anos, foi descoberta uma nova classe de objetos do Sistema Solar distante, que orbitam o Sol a uma distância maior do que a de Neptuno: os objetos transneptunianos extremos (ETNOs).

As suas órbitas estão muito longe do Sol em comparação com a da Terra. Nós orbitamos o Sol a uma distância média de 1 Unidade Astronómica (corresponde a 150 milhões de quilómetros), mas os ETNOs orbitam a mais de 150 UA.

Para termos uma ideia de quão longe estão, a órbita de Plutão, que é um objeto transneptuniano, ronda as 40 UA. Até agora, foram identificados um total de 21 ETNOs.

Recentemente, vários estudos sugeriram que os parâmetros dinâmicos dos ETNOs poderiam ser explicados de uma maneira melhor se existisse um ou mais planetas com massas várias vezes a da Terra, que orbite o Sol a distância de centenas de UA.

Em 2016 os investigadores Brown e Batygin usaram as órbitas de sete ETNOs para prever a existência de uma “superterra” em órbita do Sol a cerca de 700 UA.

Esta ideia é referida como Hipótese do Planeta Nove e é um dos temas atuais de mais interesse na ciência planetária. No entanto, visto que os objetos estão tão distantes, a luz que recebemos desses corpos celestes é muito fraca e até agora o único objeto transneptuniano observado espectroscopicamente foi o Sedna – um planeta anão descoberto em 2003 e que, desde 2012, está cerca de três vezes mais longe do Sol que Neptuno.

Agora, os investigadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), fizeram as primeiras observações espectroscópicas de 2004 VN112 e 2013 RF98, ambos particularmente interessantes porque as suas órbitas são quase idênticas e os polos das órbitas estão separados por um ângulo muito pequeno.

Isto sugere uma origem comum e as suas órbitas atuais podem ser o resultado de uma interação passada com o hipotético Planeta Nove. Este estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, sugere que este par de ETNOs resultou de um asteroide binário que se separou depois de um encontro com um planeta que orgita para lá de Plutão.

Segundo os especialistas, foi difícil identificar estes asteroides porque a sua grande distância significa que o seu movimento aparente no céu é muito lento. Os cientistas mediram as suas magnitudes aparentes (o seu brilho visto a partir da Terra) e também recalcularam a órbita de 2013 RF98, que tinha sido mal determinada – e descobriram que este objeto está localizado a mais de um minuto da posição prevista.

De acordo com o novo estudo, que analisou também o espectro visível dos objetos, os valores obtidos para 2014 VN112 e 2013 RF98 são quase idênticos àqueles observados noutros dois ETNOs, 2000 CR105 e 2012 VP113.

No entanto, Sedna, o único destes objetos previamente observado espectroscopicamente, mostra valores muitos diferentes dos restantes. Estes cinco objetos fazem parte do grupo de sete usados para testar a Hipótese do Planeta Nove, o que sugere que todos devem ter uma origem comum, à exceção de Sedna.

Wikipedia

Representação das órbitas de seis dos sete objetos transneptunianos extremos (ETNOs) usados para reforçar a hipótese do "Planeta Nove"

Representação das órbitas de seis dos sete objetos transneptunianos extremos (ETNOs) usados para reforçar a hipótese do “Planeta Nove”

“Os gradientes espectrais semelhantes observados para o par 2004 VN112 – 2013 RF98 sugerem uma origem física comum,” explica a astrofísica Julia de León, a autora principal do artigo.

“Estamos a propor a possibilidade de terem sido anteriormente um asteroide binário que se afastou durante um encontro com um objeto mais massivo“, adiantou.

Para validar esta hipótese, a equipa realizou milhares de simulações numéricas para ver como os polos das órbitas se separariam ao longo do tempo. Os resultados destas simulações sugerem que um possível Planeta Nove, que teria cerca de dez vezes a massa da Terra e esteja a orbitar o Sol a uma distância entre 300 e 600 UA, pode ter separado o par há mais de 5 milhões de anos.

Com estas novas pistas que reforçam a teoria do Planeta Nove, agora só temos de esperar que algum astrónomo consiga realmente localizá-lo.

ZAP // CCVAlg

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