Novo estudo diz que erradicação da malária é possível até 2050

O objetivo da erradicação global da malária, uma das doenças mais antigas e mortais do mundo, pode ser alcançado até 2050, segundo um novo estudo publicado esta segunda-feira pela comissão para a malária da The Lancet.

Segundo um novo estudo publicado esta segunda-feira pela comissão para a malária da The Lancet, o objetivo da erradicação global da malária, uma das doenças mais antigas e mortais do mundo, pode ser alcançado até 2050.

Um futuro livre de malária pode ser alcançado tão cedo como 2050“, revela o estudo, da autoria de 41 dos principais especialistas mundiais em malária, ciências biomédicas, economia e políticas de saúde.

O estudo sintetiza as evidências científicas, combinando-as com novas análises epidemiológicas e financeiras que demonstram que – com as ferramentas e estratégias certas e o financiamento adequado – a erradicação da doença é possível no espaço de uma geração.

Os especialistas identificam três medidas para inverter a curva da progressão da doença, acelerando o declínio dos casos de malária a nível mundial, incluindo um aumento anual de cerca de dois mil milhões de dólares, perto de 1,8 mil milhões de euros.

Melhorar a gestão e implementação dos atuais programas de controlo da malária e fazer um uso mais eficiente das atuais ferramentas, desenvolver ferramentas inovadoras que permitam ultrapassar os desafios biológicos da erradicação e disponibilização, por parte dos países onde a malária é endémica, de investimento financeiro adequado são as propostas dos especialistas.

“Por demasiado tempo, a erradicação da malária foi um sonho distante, mas agora temos provas de que a malária pode e deve ser erradicada até 2050“, disse Richard Feachem, copresidente da Comissão Lancet para Erradicação da Malária e diretor do Grupo de Saúde Global da Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF).

“Este estudo diz que a erradicação da malária é possível no tempo de uma geração, mas para alcançar esta visão comum não podemos continuar com a abordagem atual. O mundo está num ponto crítico e devemos desafiar-nos com metas ambiciosas e comprometer-nos com as ações ousadas necessárias para as alcançar”, acrescentou.

Desde 2000, a incidência da malária e a taxa de mortalidade a nível global caíram 36 e 60 por cento, respetivamente, tendo-se registado igualmente um aumento do investimento na prevenção e tratamento da doença, que em 2016 ascendeu a 4,3 mil milhões de dólares, cerca de 3,9 mil milhões de euros.

Hoje, mais de metade dos países do mundo estão livres de malária. Apesar dos progressos e dos esforços globais, mais de 200 milhões de casos de malária são registados em todo o mundo a cada ano, causando mais de meio milhão de mortes.

Os casos de malária aumentaram em 55 países em África, Ásia e América Latina e crescem as preocupações com a resistência dos mosquitos responsáveis pela transmissão (vetores) aos atuais inseticidas e medicamentos.

A maioria dos novos casos de malária surgem em apenas 29 países, que são responsáveis por 85% das mortes registadas em 2017. Entre os 29 países, apenas dois – Papua Nova Guiné e Ilhas Salomão – não estão localizados em África.

Apenas dois países africanos – Nigéria e República Democrática do Congo – são responsáveis por 36% dos casos de malária a nível mundial.

“Apesar dos progressos inéditos, a malária continua a privar comunidades em todo o mundo do seu potencial económico, particularmente em África, onde apenas cinco países carregam quase metade do peso global [da doença]”, adiantou Winnie Mpanju-Shumbusho, membro do RBM Partnership to End Malaria e co-presidente da comissão The Lancet para a erradicação da malária.

Num comentário ao estudo, o diretor geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, considerou a meta “ousada”, considerando que o objetivo não poderá ser alcançado “com as atuais ferramentas e abordagens”.

Por isso, apelou para “redobrados esforços” na investigação e desenvolvimento, maior e mais efetivo investimento e sistemas de saúde robustos baseados na saúde primária e na cobertura universal.

// Lusa

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