Encontrado na Lituânia túnel cavado por judeus que queriam fugir ao Holocausto

Uma equipa de arqueólogos e cartógrafos descobriram, na Lituânia, um túnel pelo qual 80 judeus tentaram escapar de um local de extermínio nazi.

O local onde foi encontrado esse túnel é conhecido por Ponar, uma floresta na capital da Lituânia, Vilnius, onde cerca de cem mil pessoas foram enterradas e queimadas durante a II Guerra Mundial.

Com recurso a ondas radar, a equipa de arqueólogos e cartógrafos, provenientes de Israel, Estados Unidos, Canadá e Lituânia, descobriu a passagem de 30 metros.

O túnel, a cerca de 1,5 e 3 metros abaixo da superfície, terá sido escavado há cerca de 70 anos, maioritariamente à mão e com colheres.

“Eu chamo Ponar de ‘marco zero’ do Holocausto”, afirma Richard Freund, um dos arqueólogos responsáveis pela descoberta, da Universidade de Hartford, nos Estados Unidos.

Porquê “marco zero”?

Os eventos que ali aconteceram ocorreram quase seis meses antes dos alemães começarem a usar câmaras de gás para pôr em prática os seus planos de extermínio.

Em 1943, quando ficou claro que os soviéticos iriam invadir a Lituânia, os nazis quiseram encobrir os seus assassinatos em massa, forçando um grupo de 80 judeus a exumar os corpos, a queimá-los e a enterrar as cinzas.

Durante meses, os prisioneiros judeus desenterraram e queimaram os corpos, ficando conhecidos por “Leichenkommando” ou “Burning Brigade”, escreve a BBC.

Segundo a emissora britânica, existe até o relato de um homem que identificou a sua esposa e as suas duas irmãs entre o sem número de cadáveres.

O grupo sabia que, depois do trabalho estar feito, também eles seriam executados, por isso tentaram criar um plano de fuga.

Foi assim que metade do grupo passou dias e dias a cavar um túnel com os poucos recursos que tinham, ou seja, com as próprias mãos e com colheres que iam encontrando entre os corpos.

No dia 15 de abril de 1944, tentaram entrar pela passagem mas o barulho terá alertado os guardas, que perseguiram os prisioneiros com armas e cães.

Do grupo de 80 judeus, apenas doze conseguiram escapar e onze sobreviveram à guerra para contar a história ao mundo.

Como encontrar o túnel?

Freund e o resto da equipa aproveitou a informação dos vários relatos dos sobreviventes para tentar localizar o túnel.

Em vez de escavar e destruir restos mortais, os investigadores utilizaram duas ferramentas não invasivas – tomografia de resistividade elétrica e radar de penetração no solo.

A tomografia de resistividade permitiu uma imagem clara do subsolo e, com esta ferramenta, também encontraram uma cova desconhecida que pode ser a maior já descoberta na região – pode ter contido cerca de dez mil corpos.

Já o radar de penetração no solo conseguiu digitalizar cerca de três metros abaixo da superfície. Essa ferramenta foi então usada, entre outras coisas, para encontrar a Grande Sinagoga de Vilnius, entretanto destruída pelos alemães.

“O túnel mostra que, mesmo vivendo tempos tão negros, havia, apesar de tudo, ânsia de viver”, explica Jon Seligman, da Israel Antiquities Authority, que também participou no estudo.

ZAP / BBC / Hypescience

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