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Encélado pode ter correntes oceânicas semelhantes às da Terra

NASA / JPL-Caltech

Encélado é o sexto maior satélite natural de Saturno

O oceano subterrâneo de Encélado, uma das maiores e mais promissoras luas de Saturno, pode ter correntes oceânicas semelhantes às da Terra, de acordo com uma nova investigação publicada recentemente.

Na procura da vida para lá da Terra, Encélado é visto como um mundo bastante promissor, uma vez que possuiu um oceano de água líquida – é um dos poucos lugares do Sistema Solar onde há água neste estado, a par de Europa, uma das luas de Júpiter.

O oceano de Encélado é, no entanto, bastante diferente do da Terra. O nosso é relativamente raso (3,6 quilómetros de profundidade), cobre três quatro da superfície do planeta, é quente na superfície e tem correntes que são afetadas pelo vento.

Em sentido oposto, Encélado parece ter um oceano bem mais profundo (30 metros de profundidade) e, ao contrário da Terra, as suas águas são mais frias no topo, perto da camada de gelo, e mais quentes na parte inferior.

Apesar das suas diferenças claras, Ana Lobo, estudante de mestrado do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, sugere, numa nova investigação, que os oceanos de Encélado têm correntes semelhantes às da Terra.

O seu trabalho, cujos resultados foram publicados na Nature Geoscience, baseia-se nas medições da já “aposentada” sonda Cassini, bem como no estudo de Andrew Thompson, professor de ciência ambiental e engenharia, que estuda a forma através da qual o gelo e a água interagem para impulsionar a mistura dos oceanos que rodeiam a Antártida.

Os oceanos de Encélado e da Terra partilham uma característica importante: são salgados. E é exatamente a partir deste ponto que Ana Lobo parte: as variações na salinidade podem servir como impulsionadores da circulação dos oceanos de Encélado, tal como acontece no Oceano Antártico, escreve a Europa Press.

Medidas gravitacionais e cálculos de calor da Cassini tinham já revelado que a camada de gelo de Encélado é mais fina nos polos do que no equador. As regiões de gelo fino nos polos estão provavelmente associadas ao derretimentos e as regiões de gelo espesso no equador ao congelamento das águas, sustenta Thompson.

Esta dinâmica afeta as correntes oceânicas, uma vez que, quando a água salgada congela, liberta os sais e torna a água à sua volta mais pesada, fazendo com que afunde. Nas regiões de fusão, ocorre exatamente o contrário.

“Conhecer a distribuição do gelo permite-nos impor limitações aos padrões de circulação”, explica Ana Lobo, citada em comunicado. “Entender quais as regiões do subsolo do oceano que podem ser as mais hospitaleiras para a vida pode, um dia, ajudar a procurar sinais de vida”, remata, por sua vez, Thompson.

  ZAP //

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