Em janeiro, foram abatidas cinco vezes mais árvores na Amazónia do que no mesmo período do ano passado

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Cícero Pedrosa Neto / Amazonia Real

Setembro de 2020. Queimadas em terras indígenas da Amazónia, Alto Rio Guam, Brasil

Desflorestação tem aumentado de ritmo e grau após a chegada de Bolsonaro à presidência, apontam ambientalistas.

Apesar de a preocupação em torno da preservação da Amazónia ter acalmado face a 2019, quando a cobertura mediática internacional dava diariamente atenção aos fogos e à desflorestação do território, a floresta continua a sofrer quebras face ao sucessivo abate de árvores que ali se regista. De facto, e de acordo com as últimas imagens de satélite disponibilizadas, o número de árvores cortadas na parte brasileira da Amazónia em janeiro deste ano é cinco vezes maior que o do ano passado.

Como seria de esperar, esta estimativa já motivou críticas por parte das associações ambientalistas e partidos políticos que representam a oposição de Jair Bolsonaro.

“O governo, na realidade, criou uma oportunidade de ouro para os que querem destruir as florestas ilegalmente ou apropriar-se de propriedades públicas. Há uma deliberada falta de inspeções ambientais e muitos por trás desta onda de desflorestação ilegal também estão à espera que o congresso brasileiro aprove uma lei que recompensará a exploração das terras, uma prática que está relacionada com pelo menos um terço da desflorestação da Amazónia”, explicou Cristiane Mazzetti, porta-voz da Greenpeace Brasil.

Tal como é fácil de antecipar, a destruição da Amazónia tem consequências graves na vida e preservação de muitas espécies, que têm naquele ecossistema único a sua casa. Outra das consequências apontadas à desflorestação tem que ver com as emissões de carbono, quando, outrora, o chamado pulmão do mundo funcionava precisamente como sequestradora.

Tal como lembra o site Gizmodo, há anos que a floresta Amazónica está em perigo, seja por ações dos madeireiros, de fogos florestais ou pela criação de gado, entre outras ameaças. Desde 2015 que grandes porções da território foram destruídos, ainda que a velocidade e o nível dessa destruição tenha aumentado desde 2019, quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência do Brasil, de acordo com dados divulgados pela Green Peace.

Só no ano de 2020, a Amazónia perdeu três milhões de hectares de área. Em 2021, os ambientalistas respiraram de alívio com os sinais de que Jair Bolsonaro iria implementar medidas para evitar a desflorestação após anunciar a dobro das verbas destinadas a este objetivo e com especial destaque para a Amazónia. No entanto, o governante mudou de ideias e reduziu em 20% o orçamento, após o anúncio. É, por isso, pouco provável que em 2022 a bordagem seja diferente e que se assista a uma inversão na tendência de desflorestação.

  ZAP //

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