Trump perdeu a Câmara dos Representantes. E foi a noite das mulheres

Jim Lo Scalzo / EPA

Donald Trump

As eleições intercalares dos EUA ficam marcadas por um empate entre Republicanos e Democratas, com os primeiros a manter o controlo do Senado e a perder a maioria na Casa dos Representantes.

Tal como apontavam as previsões, o Partido Democrata voltou a ter a maioria na Casa dos Representantes, o que não acontecia desde 2010.

A derrota na Câmara dos Representantes, que deixa Donald Trump em estado de alerta, perante as eventuais consequências, foi celebrado com muita expectativa pela líder dos Democratas, Nancy Pelosi, que deverá assumir a liderança da Casa dos Representantes.

“Amanhã, será um novo dia na América“, frisou Pelosi no discurso de celebração do resultado eleitoral. E se não haverá grandes implicações para Donald Trump no imediato, é certo que o Presidente dos EUA pode ter motivos para estar preocupado.

Assumindo o controlo da Casa dos Representantes, os Democratas podem vir a lançar investigações à administração de Trump, nomeadamente para analisar eventuais conflitos de interesses ou abordar a questão dos impostos do Chefe de Estado. Além disso, podem bloquear alguns dos planos do Presidente norte-americano, para implementar legislação ou executar acções como o projecto do muro na fronteira com o México.

Todavia, os Republicanos garantiram a continuidade no comando do Senado, o que ajuda a equilibrar as forças na vida política norte-americana.

A votação para o Senado fica marcada pela geografia, com “o mapa fortemente inclinado para Estados amigos dos Republicanos” e onde Trump continua a ser muito popular, como destaca a CNN.

Os Republicanos ganharam também a corrida nos dois mais importantes Estados do país, Florida e Ohio.

Já os Democratas conseguiram afirmar-se nos subúrbios, tirando partido da “enorme diferença de género entre as mulheres” para recuperarem a maioria que tinham perdido em 2010, na Casa dos Representantes.

O Partido Democrata apostou claramente em candidatas femininas e a estratégia surtiu efeito, com vários resultados históricos envolvendo mulheres. No todo dos candidatos eleitos, as mulheres representam 52%, segundo a CNN, o que constitui um resultado revelador.

Estas eleições intercalares colocam mais de 100 mulheres na Casa dos Representantes, um número histórico e que deixa antever uma possível tendência para as próximas eleições presidenciais nos EUA, marcadas para 2020. O investimento numa candidata mulher pode valer aos Democratas uma boa vantagem na corrida contra Trump.

Mulheres que fazem história

Na votação de terça-feira, onde foram escolhidos congressistas, senadores e governadores em 36 estados, para ocupar lugares na Câmara dos Representantes e no Senado no Congresso norte-americano, houve várias primeiras vezes, sobretudo envolvendo mulheres e democratas.

Ilhan Omar e Rashida Tlaib, ambas do Partido Democrata, são as duas primeiras mulheres muçulmanas eleitas para o Congresso dos EUA, tendo vencido as respectivas eleições no Minnesota e no Michigan, e conquistando lugares na Câmara dos Representantes. Omar é uma refugiada somali, e Tlaib, que nasceu em Detroit, é filha de imigrantes palestinianos.

As também democratas Deb Haaland, do Novo México, e Sharice Davids, do Kansas, fizeram igualmente história como as primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso, na Câmara dos Representantes. Davids, que é advogada e ex-lutadora de artes marciais, é também a primeira lésbica a ser eleita para o Congresso.

Haaland, ex-líder do Partido Democrata do Novo México que impulsionou o voto dos indígenas em Barack Obama em 2012, substitui a também democrata Michelle Lujan Grisham, que conquistou a eleição para o cargo de Governador do Novo México.

Davids e Haaland juntam-se aos outros dois indígenas da Casa dos Representantes, os republicanos Markwayne Mullin e Tom Cole, ambos de Oklahoma, que foram reconduzidos.

No Tennessee, a republicana Marsha Blackburn é a primeira mulher Senadora, após derrotar o democrata Phil Bredesen.

Já no Massachusetts, foi eleita a primeira congressista negra, Ayana Pressley,  e Lori Trahan tornou-se na primeira mulher luso-descendente a conquistar um lugar no Congresso norte-americano. Os avós desta profissional de marketing e consultoria, de 44 anos, são um imigrante português e uma imigrante brasileira.

No Texas, foram eleitas as duas primeiras congressistas latinas, designadamente Veronica Escobar e Sylvia Garcia. Escobar vai substituir o lugar do democrata Beto O’Rourke, derrotado por curta margem pelo republicano Ted Cruz que conseguiu a reeleição para o Senado.

Há ainda uma outra mulher a fazer história, como a mais nova de sempre eleita para o Congresso, respectivamente a democrata Alexandria Ocasio-Cortez, que tem 29 anos.

No Colorado, Jared Polis é o primeiro governador assumidamente homossexual a ser eleito nos EUA. No seu discurso, não deixou de fazer referência a este facto, frisando que o Colorado é “um estado inclusivo”.

SV, ZAP // Lusa

 

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10 COMENTÁRIOS

  1. Alguém me explica o relevo de serem eleitas 2 muculmadas, ou 2 às pintas cor de rosa a nao ser para fomentar divisão entre raças, discurso racista?

    • Falou e disse Joaquim!!! Haja alguém que pensa! Obrigado!
      Só querem é fomentar a divisão das pessoas, andarem todos em guerra por causa de insignificâncias, para não pensarmos em coisas bem mais importantes para as nossas vidas!
      “Dividir para conquistar”.

    • Efetivamente é apenas uma jogada dos Dems politicizando o movimento #metoo, e alavancando com a narrativo do “white male privedge” – uma pura divisão, racista que depois apontam aos Reps como sendo estes os racistas e privilegiados.

      Daqui a pouco estamos como no Canadá, em que Troudeau colocou 50/50 homens e mulheres apesar do que foi eleito não espelhar essa realidade; além do complexo de “Peter Pan” e das medidas nefastas para os Canadianos.

      A mim é-me indiferente raça ou sexo, sou pelo mérito e igualdade de oportunidades; nunca, jamais pela igualdade de resultados – o que é bem defender nos EUA.

      Veremos a ‘trapalhada’ que os Dems vão tentar fazer a partir de agora, a juntar à incitação à violência – como Maxine Waters, entre outros -, e às políticas desastrosas, esquecendo o “inocente até prova em contrário.”

      A seguir com atenção.

    • essas sras e as outras ou outros, especialmente o politicamente correcto, a moda dos géneros, lgbt e restante abecedário, etc.

      alguém conhece, especialmente quem nelas e neles votou sabe o que realmente pretendem para o país? ou não passou de ser moda e votar nesse tipo de gente?

      mas não é só nos EUA que isto se passa, é em todo o mundo.

        • Não sei se é assim tão óbvio…
          Árabes é uma coisa; muçulmanos é outra e, a maioria dos mulçumanos nem sequer são árabes – basta pensar que o maior país muçulmano é a Indonésia!!
          O artigo “apenas” aludiu à diversidade – o que faz todo o sentido num país como os EUA.

          • Os racistas aludem sempre à diversidade como algo importante e à divisão pela cor da pele. Os não racistas não falam nisso porque nem pensam nisso

  2. E mais uma Joaquim, os demoncratas já são conhecidos pelas fraudes nos votos. votantes emigrantes ilegais e até pessoas já mortas. Depois a culpa é dos Russos…
    É só pesquisarem o assunto.

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