A educação científica está sob ataque legislativo nos Estados Unidos

São inúmeros os professores de ciências que trabalham diariamente nas escolas públicas dos Estados Unidos para garantir que os alunos estão equipados com o conhecimento teórico e prático necessário para enfrentar o futuro. No entanto, há alguns projetos de lei que ameaçam a integridade da educação científica no país.

Nos estados do Indiana, Montana e Carolina do Sul, os projetos de lei procuravam exigir a deturpação dos tópicos supostamente controversos dentro da sala de aula. Por sua vez, no Connecticut, Flórida e Iowa, os projetos de lei iam mais longe e visavam além da sala de aula, incluindo tópicos supostamente controversos nos padrões científicos estaduais.

Apesar destas diferenças, os projetos de lei tinham um objetivo comum: minar o ensino da evolução ou das alterações climáticas, avança o Scientific American.

O Indiana, por exemplo, tinha o intuito de obrigar as escolas a ensinarem uma alternativa à evolução, enquanto que o projeto lei de Montana exigiria que as escolas públicas do estado negassem as alterações climáticas nas aulas.

Qualquer um destes projetos seria um ataque ao objetivo da educação de ciências nas escolas públicas, uma vez que é suposto que os alunos tenham o direito de aprender certos tópicos científicos de acordo com a compreensão da comunidade científica. Entre os cientistas, o nível de aceitação da evolução situa-se nos 99% e o das alterações climáticas cifra-se em 97%, pelo que deturpar estes tópicos seria frustrar o ensino científico.

A Associação Nacional de Ensino de Ciências concorda. Em comunicado, a NSTA descreve a evolução como “um importante conceito unificador na ciência” que “deve ser enfatizado nas estruturas e currículos de educação científica do ensino”. Da mesma forma, a associação recomenda que os professores de ciências “enfatizem aos alunos que não existe controvérsia científica sobre os fatos básicos das alterações climáticas“.

Os legisladores, que deveriam defender os professores, apresentam este tipo de projetos de lei e pode haver uma razão para explicar esta atitude: servir as ideologias dos seus eleitores – religiosas, no caso da evolução; políticas, no caso das alterações climáticas.

Certo é que, se os professores de ciências das escolas públicas norte-americanas não conseguirem ensinar evolução ou alterações climáticas com precisão, a alfabetização científica de milhões de estudantes poderá estar em risco.

  ZAP //

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