Há uma doença que pode explicar a enigmática pintura de Mona Lisa

Musée du Louvre / Wikimedia

Mona Lisa (p.), por Leonardo Da Vinci

Um estudo recente, que analisou as possíveis condições médicas visíveis no retrato de Mona Lisa, sugere que Lisa Gherardini pode ter sofrido de hipotireoidismo – patologia associada ao funcionamento insuficiente da tiróide. 

Mona Lisa, também conhecida como La Gioconda ou (La Joconde), tem fascinado artistas, investigadores, profissionais da investigação médica e até mesmo ladrões durante séculos. Um estudo, publicado este mês na Mayo Clinic Proceedings, pode revelar um pouco mais sobre esta icónica figura.

A pintura de Mona Lisa atraiu a atenção da comunidade médica em 2004, quando uma equipa de reumatologistas e endocrinologistas sugeriu que as lesões na pele e os inchaços nas mãos visíveis no retrato de Da Vinci poderiam indicar um distúrbio lipídico e uma patologia cardíaca.

Os investigadores afirmaram que a hiperlipidemia familiar (excesso de gordura no sangue) e a aterosclerose prematura (degradação degenerativa das artérias) poderiam ter causado a morte de Lisa Gherardini. Os cientistas propuseram ainda que o famoso sorriso de Mona Lisa pode ter sido resultado de uma outra condição médica, a paralisia de Bell.

Depois de analisarem a pintura novamente, os médicos Mehra e Campbell descobriram que hipotireoidismo clínico era o diagnóstico mais provável, uma vez que Lisa Gherardini viveu durante 63 anos.

“O enigma da Mona Lisa pode ser resolvido com um simples diagnóstico médico de uma doença relacionada com o hipotireoidismo”, disse Mehra citado pelo Sci News.

“De muitas formas, é o fascínio por estas imperfeições causadas pela doença que dão a esta obra-prima a sua misteriosa realidade e encanto”, acrescentou o investigador.

Caso Lisa Gherardini sofresse de uma doença cardíaca e de um distúrbio lipídico, era pouco provável que tivesse vivido até uma idade tão avançada, uma vez que os tratamentos disponíveis na época, na Itália do século XVI, eram muito limitados.

Mehra apontou o cabelo fino de Mona Lisa, a pele amarelada e o possível bócio como evidência visuais do hipotireoidismo. “A dieta dos italianos durante o Renascimento era pobre em iodo, e os bócios – glândula da tiroide inchada – resultantes eram comummente representados através de pinturas e esculturas da época”, explicou.

“Além disso, Lisa Gherardini tinha dado à luz pouco antes de ser retratada, o que indica a possibilidade de tireoidite pós-parto”, remata o investigador.

Foi Francesco del Giocondo, um rico negociante de seda em Florença, em Itália, que contratou Leonardo da Vinci para produzir um retrato da sua esposa. A obra-prima foi pintada logo após o nascimento de seu filho, Andrea, em 1502. Apesar das evidências serem escassas, acredita-se que a pintura tenha começado em 1503.

Posteriormente, a pintura foi levada para França, em 1516, país onde foi concluída e ficou a decorar a corte do rei Francisco I até à sua exibição permanente no Museu do Louvre, em 1797, onde ainda se encontra.

ZAP //

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