Docentes portugueses com salários brutos a meio da tabela europeia

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Os salários dos professores e diretores das escolas portuguesas são dos mais altos da Europa, quando comparados com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, segundo um estudo da Eurydice, mas ficam a meio da tabela, em termos brutos.

Quando estão em início de carreira, os professores das escolas públicas portuguesas recebem cerca de 21.960 euros brutos anuais, um salário que vai subindo até aos 41.537 euros, quando atingem o topo de carreira.

Os ordenados dos professores portugueses surgem no relatório do organismo da União Europeia responsável pela compilação e análise das políticas educativas europeias, que decidiu comparar a situação em 37 países europeus.

Em termos de salário bruto, os portugueses ficam a meio da tabela, com mais de 15 países com vencimentos mais baixos e outros tantos com ordenados mais elevados.

Nesta lista, a Bulgária e a Roménia destacam-se pela negativa com salários anuais que não atingem os nove mil euros brutos, enquanto países como o Luxemburgo surgem como os que melhor pagam, com os salários mais baixos a rondar os 72 mil euros e os mais altos os 141 mil euros.

Na vizinha Espanha, os salários brutos anuais estão tabelados entre os 28 e os 46 mil euros, na Bélgica rondam entre os 31 e os 64 mil euros anuais e, na Alemanha, encontram-se entre os 43 mil e os 70 mil euros anuais.

No entanto, a equipa da Eurydice quis perceber qual o investimento feito pelos países e os gastos com os ordenados e por isso optou por comparar os salários com o PIB ‘per capita’.

Nesta equação, os docentes portugueses do ensino básico do escalão mais baixo destacam-se, já que os seus ordenados representam 139% do PIB per capita.

Portugal surge em primeiro lugar, logo seguido da Alemanha, onde os salários brutos dos docentes do ensino básico representam 129% do PIB per capita.

Além destes dois países, apenas os salários em Espanha, Chipre, Macedónia, Sérvia e Turquia estão acima do valor médio do PIB em relação à população respetiva, revela o estudo ‘Salários e subsídios de professores e diretores das escolas na Europa – 2014/2015’.

Estas realidades contrariam a regra da maioria das escolas europeias, onde o peso dos ordenados dos professores tem menos impacto no PIB (na Lituânia e na Roménia representam, respetivamente, 32% e 41% do PIB per capita).

O estudo analisou também os salários dos diretores das escolas e os portugueses voltam a representar uma fatia maior, com um rácio de 307% em relação ao PIB per capita, só ultrapassado pelo Reino Unido (465%) e pelo Chipre (376%).

Em Portugal, os salários dos diretores variam entre os 23.999 e 43.637 nos estabelecimentos com menos de 301 alunos e entre 30.103 e 49.409 para os que têm mais de 1.500 estudantes.

A diferença entre o escalão mais baixo e o mais alto está “positivamente relacionado” com o número de anos de serviço necessários para se atingirem ordenados mais elevados, sublinha o estudo hoje divulgado.

O acesso ao topo da carreira varia consoante os países, sendo que, em alguns, é rápido e, noutros, é uma longa caminhada.

Portugal surge no grupo da Hungria, Áustria, Grécia e Roménia, países onde são precisos muitos anos para se atingir o topo da carreira: por exemplo, na Grécia são 33 anos e, na Hungria, 42.

Outro dos itens analisados prendeu-se com os subsídios atribuídos e concluiu que um em cada três países oferece complementos.

O pagamento de extras está dependente de várias situações tais como: ter mais qualificações, fazer novas formações profissionais, ter uma avaliação de desempenho positiva ou conseguir que os seus alunos apresentem bons resultados académicos.

Outras das razões que podem representar um aumento salarial são os casos de docentes com responsabilidades adicionais, que ensinam alunos com necessidades educativas especiais (NEE) ou em circunstâncias difíceis, que participam em atividades extracurriculares.

Em Portugal, assim como na Bélgica, Reino Unido, Liechtenstein e Montenegro, existe “apenas um ou dois desses subsídios”, revela o estudo da União Europeia responsável pela compilação e análise dos sistemas e políticas educativas europeias.

Os dois motivos mais citados na Europa são “responsabilidades adicionais” e “trabalho em horas extras”, contrariamente às qualificações, avaliação positiva de desempenho e bons resultados dos alunos que surgem como as condições que dão menos compensações financeiras.

O estudo releva ainda que, depois de vários anos de estagnação e crise económica, os salários e rendimentos dos professores da maioria dos países europeus aumentaram no ano passado.

/Lusa

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