Nova descoberta reforça teoria de que a dispersão dos primeiros humanos a partir de África ocorreu em várias ondas

Alon Barash

Foi encontrada uma vértebra de um rapaz entre os 6 e 12 anos com 1.5 milhões de anos no sítio arqueológico de Ubeidiya, em Israel.

Uma equipa internacional de investigadores americanos e israelitas descobriu uma vértebra de uma espécie hominídea datada de há 1.5 milhões de anos que viveu no vale do Jordão.

O osso pertencia a um menino entre os 6 e os 12 anos que era particularmente alto para sua altura e é a prova mais antiga da presença humana em Israel e o segundo resto mortal de um humano encontrado fora de África, revela o Times of Israel.

Os investigadores referem que a descoberta vem suportar a teoria de que as migrações humanas mais antigas a partir de África aconteceram em várias ondas e não apenas num evento único. O estudo foi publicado na Scientific Reports.

Ubeidiya é um dos sítios arqueológicos mais antigos fora da África, com um registo rico de descobertas que inclui artefactos de pedra e de ossos de criaturas extintas, como os tigres de dentes-de-sabre e os mamutes.

O sítio está a ser estudado desde a década de 60. A pesquisa mais recente foi financiada pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA, que procurou usar novos métodos de datação para refinar as estimativas dos vestígios dos humanos antigos e perceber melhor a ecologia e o clima do sítio nessa altura.

O consenso na comunidade científica é de que os nossos antepassados evoluíram em África há seis milhões de anos e começaram a espalhar-se pelo mundo há cerca de dois milhões de anos — mas as rotas seguidas e o timing desta dispersão ainda é muito debatido, nota a Cosmos.

“Devido à diferença no tamanho e na forma da vértebra de Ubeidiya e aquelas encontradas na República da Geórgia, temos agora provas inequívocas da presença de pelo menos duas ondas de dispersão diferentes“, revela o principal autor do estudo, Alon Barash.

Os autores referem ainda que os humanos que viveram em Dmanisi e Ubeidiya usam tecnologias diferentes e que produziam ferramentas de pedra diferentes — os de Dmanisi faziam ferramentas de pedra ao estilo Oldowan, enquanto que os de Ubeidiya criaram ferramentas mais complexas.

“Uma das principais questões relacionadas com a dispersão humana a partir de África era as condições ecológicas que a facilitaram. As teorias anteriores debatiam se os humanos preferiam a savana africana ou o ambiente mais húmido das florestas“, revela Miriam Belmark, co-autora do estudo.

A nova descoberta é consistente com a crença de que os climas também variavam entre os sítios de Israel e da Geórgia. “Ubeidiya é mais húmido e mais compatível com o clima mediterrânico e Dmanisi é mais seco com um habitat de savana”, afirma. Esta diferença é uma prova de que estamos a falar de dois hominídeos diferentes.

“Parece que no período conhecido como o Pleistoceno Inferior, podemos identificar pelo menos duas espécies de humanos antigos em África. Cada onda de migração foi de uma espécie diferente em aparência e forma, técnica e tradição de produção de ferramentas e pedras, e nichos ecológicos em que viviam”, remata Barash.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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