“Dinossauro Frankenstein” pode ser o elo perdido entre herbívoros e carnívoros

Uma equipa de cientistas acredita ter resolvido o mistério sobre o chamado “dinossauro Frankenstein”, um esqueleto encontrado no Chile, em 2015, que parecia ser composto por partes de espécies diferentes.

Um novo estudo, publicado na Royal Society Journal Biology Letters, sugere que o “dinossauro Frankenstein” é, na verdade, o elo perdido entre os dinossauros herbívoros, tais como o estegossauro, e os dinossauros carnívoros, como o tiranossauro.

A descoberta lança luz sobre a evolução de um grupo de dinossauros conhecidos como ornitísquios.

O Matthew Baron, investigador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, explica à BBC que a sua pesquisa indica que o “dinossauro Frankenstein” foi um dos primeiros ornitísquios, um grupo que inclui animais mais conhecidos, como os  tricerátops e os estegossauros, e que tem placas ósseas nas costas.

“Não temos ideia nenhuma de como o corpo dos ornitísquios começou a desenvolver-se porque parecem muito diferentes de todos os outros dinossauros. Têm várias características incomuns”, afirma o cientista de Cambridge.

De enigma a elo perdido…

O “dinossauro Frankenstein”, cientificamente chamado Chilesaurus, intrigou os cientistas quando foi descoberto, há dois anos. Tinha as pernas como o brontossauro, os quadris do estegossauro e os braços e o corpo do Tiranossaurus rex.

Os cientistas não sabiam onde posicioná-lo na árvore genealógica de dinossauros. Os paleontólogos sempre acreditaram que o grupo dos ornitísquios não estaria ligado aos outros grupos de dinossauros.

Mas uma revisão dessa árvore genealógica, proposta por Matthew Baron em Março de 2017 na revista Nature, sugere que os ornitísquios estariam mais próximos de carnívoros como o tiranossauro do que se pensava anteriormente.

E foi essa reconfiguração da árvore genealógica que permitiu que o “dinossauro Frankenstein” passasse de enigma a elo perdido.

“Agora que acreditamos que ornitísquios e carnívoros como o tiranossauro estão relacionados, o Chilesaurus fica entre os dois grupos. É uma mistura perfeita, metade a metade”, salienta Matthew Baron, que conclui que “de repente, a nova árvore genealógica faz muito sentido”.

A “árvore de Baron”

Mas a versão alternativa da árvore genealógica do dinossauro, a “árvore de Baron”, é mais do que um simples reajuste. Ela lança luz sobre como grupos diferentes de dinossauros se dividiram e evoluíram por caminhos diferentes, acrescenta o co-autor do estudo, o professor Paul Barrett, do Museu de História Natural de Londres.

BBC

A árvore genealógica dos dinossauros

“O Chilesaurus é um dos mais enigmáticos e intrigantes dinossauros já descobertos. A sua estranha mistura de características coloca-o numa posição-chave na evolução dos dinossauros e ajuda a mostrar como algumas das grandes divisões entre os maiores grupos pode ter ocorrido”, salienta Barrett no site da Universidade de Cambridge.

“Mostra que nos dinossauros com ancas de pássaro, o intestino desenvolveu-se primeiro e as mandíbulas evoluíram mais tarde – preenche a lacuna perfeitamente, acrescenta Baron no mesmo site.

Este investigador acredita que a divisão “parece ter acontecido por causa de uma mudança na dieta do Chilesaurus“. “Parece que se tornou mais vantajoso para alguns dos dinossauros carnívoros começarem a comer plantas, possivelmente até por necessidade”, acrescenta.

Barrett e Baron acreditam que a árvore reconfigurada poderá vir a substituir a actual árvore genealógica, que resiste ao teste do tempo há mais de 130 anos.

E, embora a “árvore de Baron” seja alvo de muita polémica e de muitas críticas, se o investigador conseguir acrescentar novos exemplos que suavizem a relação entre os diferentes grupos de dinossauros, é possível que a sua aceitação aumente.

Baron acredita que resgatar o Chilesaurus do estatuto de “Frankenstein” pode ser a primeira de uma série de rearranjos.

“Este é um bom passo na direcção do meu objectivo principal, que é tentar definir de vez a linhagem do ornitísquio, porque acredito que passamos demasiado tempo a ignorar e sem entender este grupo importante”, afirma.

O investigador tem esperança de que se venha a “chegar a um consenso” relativamente ao que defende ser “o modelo correcto”.

ZAP // BBC / SciNews

 

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