DGS alerta para “problemas graves” das chamadas falsas para a linha Saúde 24

Rodrigo Gatinho / portugal.gov

O director-geral da Saúde, Francisco George

O director-geral da Saúde, Francisco George

O director-geral da Saúde, Francisco George, alertou este sábado para os “problemas graves” que as chamadas falsas para a linha Saúde 24 podem provocar no encaminhamento dos cidadãos em situação grave que procuram este serviço.

Francisco George falava à agência Lusa a propósito da paralisação de vários trabalhadores da linha Saúde 24, gerida por uma empresa privada, mas cuja qualidade é supervisionada pela Direcção Geral da Saúde (DGS).

Este sábado, e segundo dados da administração da linha, cerca de metade dos funcionários não compareceram ao serviço, num protesto contra a descida do valor da hora de trabalho, proposto pela empresa LCS.

O administrador desta empresa manifestou-se preocupado com o “elevado número” de chamadas falsas, cuja origem prometeu averiguar, uma apreensão subscrita por Francisco George.

“As chamadas falsas podem criar problemas graves, uma vez que os cidadãos, em caso de situações graves, ficariam sem este serviço disponível”, disse.

Francisco George considera “absolutamente essencial garantir, nos termos do contrato, o funcionamento da linha, com a manutenção da qualidade que desde sempre foi reconhecida”.

Sobre as declarações da coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins, que hoje apontou a Saúde 24 como um exemplo do que acontece quando se privatizam serviços públicos, Francisco George recordou que a linha “foi sempre explorada por empresas privadas, no quadro de um contrato que foi subscrito no seguimento de concursos públicos, tal como o presente”.

“Estamos perante um serviço que funciona com grande qualidade e é reconhecido pelos cidadãos como tendo grande qualidade e que reduz a procura desnecessária dos cuidados de urgência e que desde sempre foi operacionalizado por empresas privadas”, adiantou.

 

Saúde 24 com metade dos trabalhadores e “elevado número” de chamadas falsas

O administrador da empresa que gere a Linha Saúde 24 revelou que metade dos trabalhadores não compareceu este sábado ao serviço e alertou para o “elevado número” de chamadas falsas cuja origem prometeu averiguar.

Em declarações à agência Lusa a propósito da recusa de vários enfermeiros em realizarem hoje o atendimento telefónico, num protesto contra a redução do valor pago por hora, Luís Pedroso Lima disse que o serviço funcionou hoje com metade dos colaboradores.

“Obviamente que este diferendo perturba sempre o funcionamento da linha”, disse o administrador da empresa LCS, responsável por esta linha do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na origem do protesto está a intenção da empresa reduzir o valor pago por hora aos colaboradores que, segundo Luís Pedroso Lima, se deve à diminuição do montante que o Estado paga à empresa e que este ano será “70% mais baixo do que o valor inicialmente contratado”.

A proposta da empresa é de baixar dos 8,75 euros pagos actualmente por hora de trabalho para os sete euros, “ainda assim superiores aos cinco euros por hora praticados nos hospitais do SNS”, disse Luís Pedroso Lima.

Em relação aos colaboradores que hoje não trabalharam, o administrador ressalvou: “Não estamos perante uma greve, porque tal pressuporia um aviso de greve. Nem sequer fomos informados de que isto ia acontecer”.

Luís Pedroso Lima adiantou ainda que a Linha de Saúde 24 recebeu hoje “um elevado número de chamadas falsas”, as quais eram desligadas ao fim de seis segundos de comunicação”.

“Sendo este um serviço de interesse público, em que está a causa a saúde das pessoas, este tipo de chamadas perturba seriamente a qualidade clínica do trabalho que temos vindo a realizar”, disse.

Sem querer adiantar a quem atribui este “elevado número” de chamadas falsas, Luís Pedroso Lima prometeu “apurar” a sua origem, através de “uma análise cuidada da situação”.

Na segunda-feira a LCS volta a reunir-se com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), esperando ouvir desta organização representativa dos trabalhadores “propostas concretas”.

/Lusa

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