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Detidos corajosos seriam perdoados se estivessem dispostos a contrair gripe espanhola. Não correu como planeado

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Tal como aconteceu com o SARS-CoV-2, houve uma corrida para aprender o máximo possível assim que a gripe espanhola eclodiu. Em Boston, médicos tomaram medidas que, hoje, seriam antiéticas e ilegais.

Ao contrário da covid-19, os jovens adultos eram a faixa etária mais castigada pela gripe espanhola. Numa tentativa de aprender mais sobre a doença, M.J. Rosenau e J.J. Keegan ofereceram aos detidos da prisão militar de Deer Island, em Boston, uma proposta arriscada.

Segundo o IFL Science, se os prisioneiros estivessem dispostos a serem deliberadamente infetados pelo vírus e sobrevivessem, seriam perdoados e libertados.

Alguns detidos seriam injetados com tecido pulmonar infetado de pacientes doentes ou falecidos, enquanto noutros seria colocado, no nariz e na garganta, muco retirado de pacientes em estado grave. Noutras fases da experiência, os cientistas injetariam sangue de doentes em prisioneiros saudáveis, para ver se se espalhava por microorganismos infecciosos no sangue.

Cerca de 300 detidos alinharam nesta aventura perigosa, desesperados por um perdão judicial. Destes voluntários, 62 foram selecionados para participar nos ensaios.

Mesmo depois de os pacientes infetados terem tossido no rosto e na boca de alguns prisioneiros, nenhum foi infetado. A única pessoa que contraiu a doença foi um médico envolvido nos ensaios, que morreu pouco depois de contrair o vírus.

A explicação provável é que os prisioneiros já haviam sido expostos à doença algumas semanas antes, tendo adquirido imunidade natural. Como acabaram por sobreviver, os voluntários receberam um perdão judicial e acabaram por ser libertados.

Estima-se que, durante a pandemia de gripe espanhola de 1918, tenham falecido entre 20 e 50 milhões de pessoas em todo o mundo.

  Liliana Malainho, ZAP //

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