Descoberta põe em causa teoria sobre planetas potencialmente habitáveis

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A água em estado líquido é um pré-requisito para que exista vida. Contudo, um novo estudo revela que esta pode existir durante milhares de milhões de anos em planetas muito diferentes da Terra, colocando em causa a teoria atual sobre planetas potencialmente habitáveis.

No Sistema Solar, a zona habitável estende-se desde o interior da órbita da Terra até depois da órbita de Marte. Contudo, também foi encontrada água em estado líquido nas luas de Júpiter e Saturno, o que obrigou alguns astrobiólogos a repensar as zonas habitáveis, lê-se num artigo do Science Daily.

“Uma das razões pelas quais a água é líquida na Terra se deve à sua atmosfera”, explicou Ravit Helled, coautor do estudo publicado recentemente na Nature Astronomy. “Devido ao seu efeito de estufa natural, o nosso planeta retém a quantidade exata de calor para a existência de oceanos, rios e chuva”.

Quando a Terra “se formou, a partir de gás e poeira cósmicos, coletou uma atmosfera composta principalmente de hidrogénio e hélio – a chamada atmosfera primordial”, apontou Helled, investigador da Universidade de Zurique e membro do Centro Nacional de Competência em Pesquisa (NCCR) PlanetS. Contudo, ao longo do seu desenvolvimento, a Terra foi perdendo essa atmosfera primordial.

“A ideia de que planetas com uma atmosfera primordial, dominada por hidrogénio e hélio, são capazes de hospedar água líquida já existe há algum tempo. Queríamos investigar e incluir a componente tempo”, disse Mol Lous Inverse, investigadora das universidades de Berna e de Zurique e principal autora do estudo.

Nesta pesquisa, a equipa concluiu que outros planetas mais massivos que a Terra podem coletar atmosferas primordiais muito maiores. “Tais atmosferas primordiais massivas também podem induzir um efeito estufa – muito parecido com a atual atmosfera da Terra. Queríamos então perceber se essas atmosferas poderiam ajudar a criar as condições necessárias para a existência de água líquida”, continuou Helled.

Para desenvolver o estudo, a equipa modelou inúmeros planetas e simulou o seu desenvolvimento ao longo de milhares de milhões de anos.

“Descobrimos que, em muitos casos, as atmosferas primordiais foram extinguidas devido à intensa radiação das estrelas, especialmente em planetas próximos da sua estrela. Mas, nos casos em que essas atmosferas resistiram, podem também existir condições para haver água líquida”, relatou Marit Mol Lous.

Quando “chega à superfície calor geotérmico suficiente, nem sequer é necessária a radiação de uma estrela como o Sol para que prevaleçam as condições que permitem a existência de água em estado líquido”, acrescentou.

E continuou: “talvez o mais importante nos nossos resultados é o facto de mostrarem que essas condições podem persistir por longos períodos de tempo – até milhares de milhões de anos”.

“Para muitos, isso pode ser uma surpresa. Os astrónomos normalmente esperam que exista água líquida em regiões ao redor das estrelas, que recebem a quantidade certa de radiação”, explicou outro dos autores, Christoph Mordasini.

Sendo “a disponibilidade de água líquida um pré-requisito para a vida, e a vida provavelmente levou muitos milhões de anos para surgir na Terra, isso pode expandir horizontes na busca por formas de vida alienígenas, nos chamados planetas flutuantes, que não orbitam em torno de uma estrela”, referiu.

No entanto, o investigador segue cauteloso. “Embora os nossos resultados sejam entusiasmantes, devem ser considerados como um grão de areia”.

“Mesmo nas condições certas, não está clara a probabilidade de a vida surgir num habitat tão exótico. Essa é uma questão para os astrobiólogos. Ainda assim, com o nosso trabalho, mostramos que a ideia [de zona habitável] centrada na Terra pode ser muito estreita”, concluiu Mordasini.

  ZAP //

2 Comments

  1. Caros senhores ZAP: “No Sistema Solar, a zona habitável se estende desde o interior da órbita da Terra até depois da órbita de Marte. Em português esta frase está incorrectamente formulada. Grato

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