Dermatologistas investigam se manchas na pele são um sintoma do coronavírus

Investigadores espanhóis estão a estudar a possibilidade de o aparecimento de manchas na pele, semelhantes às da varicela ou do sarampo, serem um sintoma da infecção por Covid-19. Surgiram vários casos em Espanha, Itália, França e na China que apontam para essa possibilidade, mas a associação ainda não está clinicamente confirmada.

Os sintomas tipicamente associadas à infecção por Covid-19 são fadiga, tosse persistente e febre, mas surge, agora, a possibilidade de a doença também se manifestar através de manchas na pele.

O Conselho Geral de Colégios Oficiais de Podologistas de Espanha (CGCOPE) avança que “estão a ser observados numerosos casos” de aparecimento de “pequenas lesões dermatológicas nos pés” em pacientes diagnosticados com a infecção, em países como Itália, França e Espanha.

“Cada vez mais estão a ser detectados”, “especialmente em crianças e adolescentes, embora tenham sido detectados alguns casos em adultos”, salienta o CGCOPE.

Em causa estão “lesões de cor púrpura” que são “muito semelhantes às da varicela, do sarampo ou das frieiras” e que se podem “manifestar em torno dos dedos dos pés e que, normalmente, se curam sem deixar marcas na pele”, acrescenta o CGCOPE que fala de “uma descoberta curiosa”.

O CGCOPE faz referência a um artigo assinado por dermatologistas pediátricos italianos e divulgado pela Federação Internacional de Podologistas (FIP) que reporta que, em Itália, foram relatadas várias “lesões acro-isquémicas” em “crianças assintomáticas” infectadas com Covid-19. Estas lesões “afectam sobretudo os pés e os dedos”, mas também as mãos e, às vezes, a planta dos pés, segundo estes dermatologistas.

Estão em causa lesões “com poucos milímetros de tamanho e múltiplas” que, “inicialmente, têm uma cor vermelho-púrpura ou azulada” e que, com o passar do tempo, podem “tornar-se bolhosas ou apresentar crostas enegrecidas”, especifica o artigo publicado pela FIP, notando que, geralmente, são indolores.

A Academia Espanhola de Dermatologia e Doenças Venéreas (AEDV) está já a fazer o estudo “Covid-Pele”, onde pretende confirmar se há, de facto, uma ligação entre estas manchas na pele a infecção por Covid-19.

O objectivo deste estudo é “categorizar” as manchas na pele para poder relacionar ou não a sua presença como sintoma no diagnóstico de Covid-19, como explica numa nota da AEDV a dermatologista Cristina Galván, do Hospital Universitário de Móstoles em Madrid. A médica que está envolvida na pesquisa refere que estão a proceder à “recolha de dados a nível nacional” para apurar a eventual associação.

“Enquanto não se complementem estudos, é difícil afirmar com segurança que estas lesões sejam parte desta doença”, constata no jornal ABC Sevilla o presidente da AEDV, José Carlos Moreno. Mas “à priori, os dados parecem apontar” para essa ligação entre as manchas e o coronavírus, destaca Moreno, relembrando, porém, que “não é algo que se possa estabelecer com segurança enquanto não se recompile o número adequado de casos”.

A AEDV dá nota das percepções de dermatologistas chineses e italianos que detectaram diversos casos de pacientes de Covid-19 com manchas na pele.

Dermatologistas do Hospital Alessandro Manzoni, em Lecco, na Lombardia, a zona italiana mais afectada pela pandemia, escreveram um artigo científico que está em processo de revisão e que, segundo a AEDV, refere que em 88 pacientes, verificaram que 18 desenvolveram “manifestações cutâneas”, desde urticária generalizada, passando por erupções e bolhas semelhantes às da varicela, sobretudo na zona do tronco. A conclusão foi de que estas manifestações cutâneas são “semelhantes” às que se verificam “durante qualquer infecção vírica“.

Na China, um estudo, igualmente citado pela AEDV, feito por dermatologistas do Hospital Third Affiliated da Universidade Sun-Yat Sen, em Guangzhou, relata casos de “urticária, vasculite de urticária e outras lesões de pele” em pacientes com Covid-19, mas admite que podem resultar de “reacções alérgicas causadas por medicamentos“. Por outro lado, também sublinham que “a tensão emocional durante esta pandemia pode agravar as doenças dermatológicas” prévias.

Os dermatologistas chineses admitem ainda que “a infecção por coronavirus pode induzir uma resposta sistémica inflamatória que poderia resultar em dermatite ou em alterações no processo de uma doença dermatológica anterior”.

De qualquer forma, qualquer um destes estudos evidencia que são necessárias mais investigações para confirmar e compreender melhor como a infecção por Covid-19 afecta a pele.

SV, ZAP //

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