Curiosity está proibida de investigar a água encontrada em Marte

NASA

A sonda norte-americana Curiosity

A sonda norte-americana Curiosity

Esta semana, os cientistas da NASA anunciaram que tinham encontrado indícios da existência de água líquida na superfície de Marte – mas a sonda Curiosity está impedida de se aproximar do local para recolher amostras.

Mesmo que a descoberta de água líquida em Marte tenha bases convincentes, a existência de rios sazonais de água no planeta vermelho nunca será 100% confirmada até que possamos ver, tocar e analisar a água, ainda que indiretamente, através dos nossos robôs.

O problema é que isso não é possível. A sonda Curiosity da NASA está a cerca de 50 quilómetros do local onde os cientistas suspeitam que exista água em estado líquido, mas graças a um tratado internacional assinado em 1967 ela não tem permissão para se aproximar.

Para chegar à superfície de Marte, a Curiosity teve que viajar 225 milhões de quilómetros a partir da Terra através do espaço, e ao longo do caminho pode ter apanhado sujidade, poeiras e todo o tipo de micróbios misteriosos que a deixam muito longe de estar devidamente esterilizada.

Mesmo que os cientistas dêem o seu melhor para esterilizar os equipamentos através do que o astrónomo Alan Duffy, da Universidade de Swinburne, na Austrália, chama de “salão de bronzeamento ultravioleta muito intenso”, não é possível aproximar-se da água se esse processo não for garantido.

“Uma vez que a água líquida parece estar presente, temos que tomar precauções extra para evitar a contaminação dela pela vida terrestre”, explica Rich Zurek, cientista-chefe do programa Marte da NASA, em resposta a utilizadores do Reddit. “Os nossos robôs atuais não foram esterilizados com o grau necessário para irem para uma área onde a água líquida possa estar presente”.

Mãos atadas

Todos os países do mundo estão vinculados às disposições do Tratado de 1967 sobre Espaço Exterior, que proíbe qualquer pessoa de enviar uma missão, robô ou ser humano para perto de uma fonte de água, de forma a que esta não seja contaminada com vida terrestre, refere o Quartz.

De acordo com Malcolm Walter, astrobiólogo da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, em declarações ao The Sydney Morning Herald, a NASA poderia expor a Curiosity a quantidades absurdas de calor e radiação que iriam acabar com qualquer resquício que conseguisse sobreviver à viagem da Terra – mas se fizessem isso estariam a destruir, no processo, alguns componentes eletrónicos internos da sonda.

“Para deixá-la completamente esterilizada, os cientistas teriam que usar radiação ionizante ou quantidades de calor realmente poderosos, sendo que ambos danificariam os componentes eletrónicos”, afirma Walter.

E agora?

A NASA está a planear enviar seres humanos para Marte pela primeira vez em meados de 2030 – talvez alguns astronautas verão a água marciana líquida com seus próprios olhos.

Outra opção seria enviar robôs para Marte, que por sua vez seriam capazes de construir outros robôs que pudessem investigar a água com pouco risco de contaminação.

No ano passado, a NASA anunciou que está a desenvolver robôs que podem imprimir infraestruturas 3D em Marte – esta poderia ser outra possibilidade.

Até lá, a Curiosity e a sua amiga Opportunity terão que se contentar com o estado de ambiguidade da sua limpeza – e ficar bem longe da água.

ZAP / HypeScience

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