Curado o segundo paciente com VIH. Primeira remissão do vírus aconteceu há 12 anos

Marcelo Camargo / ABr

Um doente anónimo afetado com o vírus da imunodeficiência humana (VIH), que está a ser referido pelo nome de ”paciente de Londres”, foi curado.

É a segunda pessoa em 12 anos a ver-se livre do vírus através de tratamentos médicos, depois de uma investigação que falhou várias vezes. Agora, apesar de os investigadores dizerem que é muito cedo para dizer que ”é uma cura”, muitos especialistas consideram que este é o caminho.

O ”London pacient”, segundo a BBC, tinha VIH desde 2003 e Linfoma de Hodgkin, um cancro que pode ser curado numa fase precoce, desde 2012. O tratamento era destinado a tratar o cancro, mas acabou também por curar o vírus da imunodeficiência humana do doente, avança o The New York Times.

Em 2016, concordou em ser submetido a um transplante de células estaminais para tratar o cancro. Os médicos assistentes conseguiram encontrar um doador com a mutação genética que confere resistência natural ao VIH. Cerca de 1% dos descendentes de pessoas do Norte da Europa herdaram a mutação dos dois pais e são imunes à maioria do VIH.

O transplante mudou o sistema imunitário do “paciente de Londres”, que voluntariamente deixou de tomar a medicação contra o VIH para ver se o vírus reaparecia. Habitualmente, os doentes com VIH têm de tomar medicação diária para controlar o vírus, que ressurge, normalmente em duas ou três semanas, quando essa medicação é suspensa. O “paciente de Londres” está há 18 meses sem tomar medicação e sem vestígios do VIH.

”Sinto responsabilidade em ajudar os médicos a entender como a cura aconteceu para que possam desenvolver a pesquisa”, contou ao jornal. “Nunca pensei que haveria uma cura para a SIDA enquanto eu fosse vivo”, acrescentou.

Há 12 anos, o norte-americano Timothy Ray Brown foi a primeira pessoa a ser tratada e seguiu o mesmo procedimento, mas recebeu um tratamento mais agressivo: fez dois transplantes e uma radioterapia.

”Ao atingir a remissão do vírus num segundo paciente ao usar uma abordagem semelhante, mostramos que não era uma anomalia e que realmente eram as abordagens terapêuticas que eliminavam o HIV nessas duas pessoas”, disse o principal autor do estudo, Ravindra Gupta.

O The New York Times salvaguarda, contudo, que é improvável que o transplante de medula óssea – arriscado e com efeitos severos que podem durar anos – seja uma opção de tratamento realista num futuro próximo, em que vão estar disponíveis medicamentos poderosos para controlar o VIH.

Esta terça-feira vai ser publicado o relatório dos resultados no jornal Nature e vão ser apresentados alguns detalhes e conclusões na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, em Seattle, nos EUA.

ZAP //

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