Cirurgião tentou vender raio-X de vítima do Bataclan como NFT. Valor rondava os 2.447 euros

Depois de ter tentado vender o raio-X de uma vítima do ataque terrorista ao Bataclan como se se tratasse de um NFT, um cirurgião francês enfrenta agora um processo judicial.

O cirurgião francês Emmanuel Masmejean enfrenta um processo judicial por tentar vender, como NFT, o raio-X de uma jovem ferida no ataque ao Bataclan, a 13 de novembro de 2015 em Paris, onde cerca de 90 pessoas morreram.

Segundo o jornal francês Mediapart, o preço do token não fungível, que pode ser negociado e transacionado pela blockchain, rondava os 2.447 euros. Estava à venda no site OpenSea, especializado na venda de NFTs.

A tentativa de venda não terá tido o consentimento da paciente. Em declarações ao jornal, o médico, que trabalha no hospital público de Georges Pompidou, reconheceu que a atitude foi “um erro” e lamentou não ter pedido autorização à vítima.

A imagem em causa mostra o antebraço esquerdo com uma bala de Kalashnikov. No anúncio do site, lê-se que o exame pertence a uma jovem que “perdeu o namorado no ataque” ao Bataclan e que o cirurgião operou “pessoalmente” cinco vítimas do sexo feminino aquando dos ataques terroristas de Paris.

O raio-X já não está à venda.

No Twitter, o médico Martin Hirsch, chefe dos hospitais públicos de Paris, confirmou que seria apresentada uma queixa criminal e profissional contra o cirurgião, devido à sua decisão “vergonhosa” e “escandalosa”.

“Este ato é contrário à deontologia médica, coloca em risco o sigilo profissional e vai contra os valores da AP-HP (hospitais de Paris) e do serviço público”, acrescentou o responsável.

Entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015, 130 pessoas morreram nos ataques terroristas em Paris. Do total, 87 morreram na sala de espetáculos Bataclan.

  ZAP //

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