China confina “cidade dos iPhones”. Trabalhadores em confrontos com a polícia

A política de tolerância zero levou ao confinamento na cidade de Zhengzhou e os trabalhadores estão a ser obrigados a viver na fábrica.

O número de casos diários de covid-19 na China está novamente em crescimento e a política de “tolerância zero” levou a que as autoridades decretassem um confinamento de cinco dias na cidade de Zhengzhou, onde fica a maior fábrica de iPhones do mundo.

Este confinamento serve também para conter os protestos dos operários da Foxconn, que começaram no mês passado devido às más condições de trabalho a que os trabalhadores são sujeitos desde que foram obrigados a viver dentro da fábrica.

Em outubro, devido aos sucessivos confinamentos, os 200 mil funcionários desta enorme fábrica onde são produzidos 70% de todos iPhones do mundo foram obrigados a viver nas instalações de trabalho. Os operários têm-se demitido desde então devido à falta de privacidade, à falta de condições de higiene e também a má alimentação a que estão a ser sujeitos.

Os trabalhadores manifestaram-se na manhã desta quarta-feiram, com milhares reunidos nas imediações dos dormitórios a confrontarem os seguranças das fábricas. Vários vídeos online mostram milhares de pessoas com máscaras a usar extintores de fogo contra a polícia vestida com fatos protetores e escudos anti-motim.

Há também imagens que mostram a polícia a pontapear e bater com cassetetes num manifestante depois de este ter agarrado uma estaca de metal que estava a ser usada para lhe acertar.

Os protestos também se intensificaram porque a empresa mudou os termos de pagamento, de acordo com o operário Li Sanshan, que revela que os anúncios de emprego prometiam 25 000 yuans por dois meses de trabalho e que agora a firma impôs mais dois meses adicionais de trabalho com um salário mais baixo para que pague o valor prometido.

“A Foxconn colocou um anúncio muito tentador e trabalhadores de todas as partes do país vieram só para descobriram que estavam a ser tomados por idiotas“, afirma ao The Guardian.

A Foxconn revelou esta quinta-feira que esta situação se deveu a um “erro técnico” e apresentou as suas desculpas.

Na quarta-feira, o governou ordenou o confinamento total de vários distritos de Zhengzhou, com os residentes a não poderem sair a não ser que tenham um teste à covid-19 negativo e a autorização das autoridades.

As restrições vão durar cinco dias e afetam mais de seis milhões de pessoas, cerca de metade da população da cidade. A Apple já adiantou que as entregas do iPhone 14 serão atrasadas devido à situação na fábrica.

  ZAP //

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