Chega vai propor perdão para todos os polícias condenados (incluindo homicidas)

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José Sena Goulão / Lusa

André Ventura, líder do Chega, com a t-shirt do Movimento Zero durante manifestação de polícias.

André Ventura anunciou esta quinta-feira que o partido vai propor na próxima legislatura uma amnistia para polícias que tenham sido condenados por crimes cometidos em serviço, incluindo homicídios.

“Nós vamos propor no parlamento uma amnistia para todos os polícias […] que foram acusados de, no serviço público e no âmbito da defesa das pessoas, ter interferido com a integridade física, ou com a vida, ou com a situação pessoal dos criminosos. Isto é, nós vamos propor que seja revista a situação de todos os polícias que tiveram de usar a arma em serviço, que tiveram que usar a força em serviço, para nos defender a nós, cidadãos”, afirmou André Ventura.

Eles até podem ter cometido um crime naquele momento, mas cometeram para nos defender. E nós hoje o que temos é falta de capacidade de nos defender”, afirmou, considerando que “os polícias não têm autoridade para fazer nada” e “têm de deixar de ter medo de [a] exercer”.

O líder do Chega indicou ainda que o partido vai propor que as situações sejam analisadas caso a caso e defender que quando “o polícia tenha agido numa situação de perigo, em defesa da segurança e da população, possa ser amnistiado”.

Recorde-se que o Ministério Público abriu uma investigação sobre André Ventura, Pedro Pinto e um assessor do partido em outubro por suspeitas de incitação ao ódio na sequência dos comentários sobre a morte de  Odair Moniz. O presidente do Chega, que defende que os polícias são vítima de “genocídio político”, disse que o agente da PSP que baleou Odair Moniz devia ser condecorado e não constituído arguido: “devíamos agradecer a este policia o trabalho que fez”.

Pedro Pinto, o líder da bancada do partido, referiu num programa da RTP que “se os polícias disparassem a matar, o país estava mais na ordem”.

No caso do assessor Ricardo Reis, está em causa uma publicação na rede social X, onde salientou, sobre a morte do cidadão cabo-verdiano, que era “menos um criminoso“ e “menos um eleitor do Bloco [de Esquerda]”.

Sobre a polémica operação policial no Martim Moniz, Ventura reforçou várias vezes: “encostem-nos à parede”.

“Se fosse pelo Chega estaria cá polícia todos os dias”, disse. “Encostem-nos à parede! Uma e outra e outra vez! Até perceberem que este país é nosso e que a lei é para cumprir!”

ZAP // Lusa

12 Comments

  1. Mais uma proposta rebuscada saída de um gabinete de marketing de 2a categoria… Estes só querem aparecer nas notícias.

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  2. Crimes são crimes, oh Sr. André Ventura!
    Foram os Tribunais que condenaram quem cometeu os crimes, independentemente da sua condição profissional.
    Nós não estamos na Venezuela ou na Hungria, nem nos Estados Unidos, onde desordeiros e instigadores de assalto às instituições democráticas foram amnistiados por um fanfarrão que foi eleito Presidente.
    A lei é para se cumprir e a segurança faz-se no cumprimento da lei.
    “A PSP é uma força de segurança pública que tem como missão defender a legalidade democrática, garantir a segurança interna, respeitar e proteger os direitos dos cidadãos.”
    Na campanha política não vale tudo, oh Sr. André Ventura.

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    • Crimes são crimes??? Só sao crimes porque a lei designou de crime, e a lei protege os bandidos… democracia?? Onde?? Quando??
      Não concordo com muito que o chega faz e com o que o chega representa mas a maneira como a lei tem criminalizado a policia é lamentável e digno de um país fraco e sem controlo!

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      • Crime é o que está definido na lei. Ninguém em situação alguma pode atentar contra os direitos de outrem. Todos são considerados inocentes até trânsito em julgado. Sejam eles quem forem, a lei é igual. Não se pode transformar o país num local em que, em nome da “segurança”, se cometam os maiores desmandos impunemente.

        • Crime é o que está definido na lei, a lei solta criminosos conhecidos regularmente, mesmo em casos graves em que voltam a cometer crimes e castiga severamente as forças de segurança….

          Curioso que não podemos castigar criminosos em nome da segurança, mas podemos castigar a segurança em nome dos criminosos! Está certo… quando sofreres do mal, liga ao batman… se não conseguires ligar ao batman, chama o robin!

  3. Se fosse o artista do circo chegano diria mais: “vamos propor que os polícias matem como bem lhes apetecer e jamais serem alvo de investigação, quanto mais de julgamento ou condenação! E quem matar mais, leva mais medalhas e condecorações e subsídios e benesses de toda a espécie.
    O pior é se algum policia (não chegano) se lembra de fazer justiça pela própria arma contra um chegano. Queria ver o que diria o pateta nessa altura…

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    • Espera, deixa ver se percebi! a lei neste momento penaliza a policia que alem de mal treinada e com pouco equipamento é responsabilizada por tudo o que acontece de mau no pais…. A lei favorece o crime, e existe N casos de criminosos soltos a seguir as deteções! O próprio povo reclama da injustiça e da inação da policia nestas circunstâncias, e a tua GENIAL ideia é alterar a lei para os policias poderem matar á vontade??? Loool mas que comentário mais parvo! É que a malta não tem noção de nada do que se passa no pais e o que os 3 pilares(segurança, educação e saude) do pais têm sofrido as maos dos anteriores governos!!

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