Gosta de champanhe? As alterações climáticas também já estão a afectar a bebida

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Prevê-se que as alterações climáticas causem Primaveras mais frias e Verões mais quentes na região francesa de Champagne, o que pode vir a estragar a produção da icónica bebida.

É a bebida de eleição para a passagem de ano e para a celebração dos momentos especiais, mas tal como qualquer outra coisa, o champanhe não é imune às mudanças que o nosso planeta está a sofrer.

Se por um lado, os Verões mais quentes com noites frias fizeram com que p champanhe produzido nos últimos anos tivessem um sabor melhor, as produtoras já estão a antecipar um efeito negativo com o agravamento das alterações climáticas.

“Qualquer pessoa que diga que as alterações climáticas não existem está a mentir”, afirma Alexandre Chartogne, da casa Chartogne Taillet, à VICE, depois de notar que as vinhas têm amadurecido muito mais do que antigamente.

Mais de 16 100 produtores de vinho crescem as suas colheitas em pequenas partes de terra na região de Champagne, conhecida por ter um clima pouco acolhedor. A temperatura média anual da região é entre 10 e 11 graus, com cerca de 1800 horas de luz solar, mais 253 horas do que há 30 anos.

Os produtores estão felizes, por enquanto, com este tempo mais quente, já que em comparação com a região de Bordéus, onde se produz a maior parte do vinho francês, tem uma temperatura média de 13.8 graus e mais de 2100 horas de luz do Sol por ano.

Nos últimos 30 anos, a temperatura de Champagne subiu 1.1 graus, o que levou a colheitas excepcionais em 2018, 2019 e 2020. Mas as previsões apontam para que as alterações climáticas causem Primaveras extremamente frias e Verões muito quentes na região, o que mexe com o equilíbrio delicado que torna a bebida única. O risco das uvas congelarem durante as noites frias na Primavera é o mais perigoso.

Um comité que inclui tanto marcas grandes como pequenas tem estado na linha da frente da advocacia da redução do impacto dos problemas ambientais no vinho feito na região, especialmente quando se trata da poluição na água e no solo que resulta do uso dos pesticidas. O grupo quer também a redução da pegada carbónica dos processos de transporte e armazenamento do vinho e das uvas.

“O diagnóstico ambiental da região de Champagne começou em 2001 com uma análise a toda a cadeia de fornecimento, que usamos para calcular a nossa pegada carbónica. Adoptámos a nossa certificação ambiental em vez de dependermos de uma nacional, que veio depois”, revela Pierre Naviaux, líder do desenvolvimento sustentável do comité.

A aposta recai no uso de técnicas de cultivo sem pesticidas. Uma delas envolve difusores de feromonas que espalham químicos usados por insectos para atraírem companheiros por todas as direcções, o que deixa os machos confusos. Como resultado, os insectos não se chegam a reproduzir, o que reduz as pestes naturalmente.

Apesar de algumas espécies da região causarem problemas na produção, o trabalho do comité também procura proteger as plantas e animais autóctones, que são essenciais para a manutenção do ecossistema,

Esta abordagem mais amiga do ambiente também mostrou as divisões entre as gerações, nestes negócios que tipicamente ficam na família. Alexandre Chartogne revela que foi difícil convencer o pai a deixar de parte os pesticidas: “Disse-lhe que não devíamos voltar a usá-los e ele escapava-se para as vinhas e dava-lhes à noite quando eu não estava a ver”.

“Não culpo os meus pais, são de outra geração. Agora é o nosso dever continuar a investir na agricultura sustentável. Queremos ter a certeza que as gerações futuras podem continuar a trabalhar aqui”, remata.

  ZAP //

1 Comment

  1. Para os que não acreditam que as alterações climáticas estão a mesmo a acontecer se gostarem de champagne pode ser que comecem a acreditar. Vi o último programa “60 minutos” sobre esta catástrofe e fiquei preocupada!

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