CGD ainda é dos bancos que têm mais crédito para investir em ações

António Cotrim / Lusa

Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos

Os bancos cortaram nos empréstimos para a compra de ações desde a crise. Mas têm ainda um valor elevado de financiamentos deste tipo.

Este crédito é visto com cautela pelos supervisores e levaram a que bancos como a Caixa Geral de Depósitos tivessem de assumir perdas de centenas de milhões com financiamentos garantidos por ações. De acordo com o Diário de Notícias, o banco público ainda é dos bancos com mais empréstimos dessa categoria.

“O montante utilizado dos créditos concedidos para a realização de operações sobre valores mobiliários totalizou 1.911 milhões de euros entre janeiro e março, menos 1,3% do que nos três meses anteriores. Deste montante, 43,6% foi concedido pelo Deutsche Bank (Portugal) e 25,6% pela Caixa Geral de Depósitos”, indica a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O banco público tinha, no final do primeiro trimestre, 488,3 milhões de euros em empréstimos deste tipo. Ainda assim, tal como todo o sistema bancário, a Caixa tem cortado no valor acumulado destes financiamentos. No final de 2010, o banco público tinha um total de 1,6 mil milhões de euros em empréstimos para investir em bolsa.

Além da CGD, outro dos bancos que historicamente é mais ativo nestas operações era o BCP, refere o DN. Atualmente, esta instituição tem 425 milhões concedidos em empréstimos para a compra de valores mobiliários. Uma redução face aos quase 1,5 mil milhões que apresentava no final de 2010, antes da chegada da troika que veio trazer um maior aperto à vigilância do setor financeiro.

A crise financeira de 2008 e, em alguns casos, as poucas garantias exigidas nesses créditos resultaram em perdas de centenas de milhões para a CGD e para outros bancos. Foi o que aconteceu nos financiamentos a José Berardo para a compra de ações do BCP e a Manuel Fino para o investimento no capital do mesmo banco e noutros títulos da bolsa portuguesa.

Com a crise nas bolsas, o colateral dado pelas próprias ações desvalorizou bem abaixo do valor emprestado. Como a CGD não exigiu outro tipo de garantias, teve de assumir prejuízos de 585 milhões apenas com estes devedores.

Em 2008, data dos dados mais antigos da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o crédito para a compra de valores mobiliários era de mais de 6,2 mil milhões de euros. Cerca de metade era dirigido a grandes investidores, segundo o mesmo jornal.

Pedro Duarte Neves, antigo vice-governador do Banco de Portugal, considerou na comissão de inquérito à gestão da CGD que o crédito que os bancos deram para a compra de ações antes da crise era mais do que aquilo que o supervisor gostaria.

Naquele ano, recorda o DN, a bolsa portuguesa perdeu mais de metade do valor, o que provocou prejuízos com esses créditos. Desde então, os bancos portugueses travaram nos créditos para investir em bolsa. Ainda assim, no final de março esse montante era ainda de 1,91 mil milhões de euros. Mais de 1,1 mil milhões são relativos a crédito concedido a pequenos investidores. Os grandes empresários ou entidades representam cerca de 825 milhões de euros.

ZAP //

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