O nosso cérebro está sempre pronto para aprender, mesmo quando não damos conta disso

Mesmo quando não damos conta disso, o nosso cérebro regista informação que facilita a aprendizagem mais tarde.

Já diz a sabedoria popular que o saber não ocupa lugar — e o nosso cérebro parece levar estas palavras à letra. Um novo estudo publicado na Psychological Science revelou que simplesmente estar exposto a coisas desconhecidas coloca o nosso cérebro no “modo aprendizagem“.

Quando somos expostos a algo novo, os nossos cérebros capitalizam nesse pequeno momento de aprendizagem e procuram obter mais conhecimentos mais tarde. A pesquisa ajuda os cientistas a perceber como funciona este tipo de aprendizagem subconsciente e latente.

Grande parte da nossa perceção deriva da nossa capacidade de categorização, que surge maioritariamente através da exposição. Por exemplo, aprendemos a distinguir um cão de um gato através da exposição a estes animais, não porque alguém nos ensinou as especificidades que os distinguem.

A equipa queria saber mais sobre como esta exposição acidental contribuiu para a nossa aprendizagem e levou a cabo cinco experiências com 438 voluntários onde recorreu a um jogo de computador personalizado que expôs os participantes a criaturas fantásticas que estes desconheciam, com algumas separadas em duas categorias, relata o Science Alert.

Na fase inicial, os participantes tinham de reagir rápido ao salto de uma criatura ou para um painel vermelho no lado esquerdo do ecrã ou para um painel azul do lado direito. Os voluntários não sabiam, mas o lado para o qual as criaturas saltavam eram sempre o mesmo de acordo com a sua categoria.

Apesar de ninguém ter descoberto das categorias secretas, ficou claro que as pessoas que foram expostas às criaturas na fase inicial aprenderam as categorias mais rápido. Outra experiência envolveu a aprendizagem explícita, onde foram explicadas as diferenças aos participantes entre as duas categorias inventadas.

Os voluntários que viram as imagens das criaturas antes da explicação foram muito mais rápidos a aprender as diferenças entre as categorias do que aqueles que só receberam as instruções, o que mostra que o cérebro já estava a tomar nota das diferenças sem que os participantes se apercebessem.

Já outra experiência levou a que os participantes na fase inicial também fossem expostos a sons aleatórios que estavam a acompanhar as imagens, tendo os voluntários de responder ao som em vez de à imagem.

Mesmo neste caso, os participantes que nem tinham de prestar atenção às imagens também se saíram melhor na fase de aprendizagem, o que sugere que uma exposição simples é suficiente para acender a vontade de aprender.

Os autores notam que os estudos deste tipo são raros e que são precisas mais pesquisas para se entender ao certo como e quando é que este processo começa nas crianças.

  ZAP //

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