Caso Rui Pinto. PJ terá recomendado jornalista à Doyen para divulgar versão alternativa ao Football Leaks

Mário Cruz / EPA/Lusa

Rui Pinto no arranque do julgamento do chamado caso “Football Leaks” que envolve o Fundo de Investimentos Doyen.

O advogado Pedro Henriques, que trabalhou para o fundo de investimentos Doyen, assegura que elementos da Polícia Judiciária (PJ) lhe indicaram o nome de um jornalista que poderia ajudar a divulgar uma versão alternativa ao Football Leaks. Uma declaração prestada no julgamento de Rui Pinto.

Em mais uma audiência do julgamento de Rui Pinto, acusado de 90 crimes, entre os quais tentativa de extorsão à Doyen, o advogado Pedro Henriques testemunhou que a PJ lhe enviou, por email, o nome de um jornalista que poderia ajudar o fundo de investimentos a divulgar uma versão alternativa da que estava a ser veiculada pelo site Football Leaks.

“Os senhores inspectores da Polícia Judiciária indicaram-nos um jornalista em concreto”, apontou Pedro Henriques que prestou assessoria jurídica ao ex-administrador da Doyen, Nélio Lucas, conforme declarações divulgadas pelo Público.

Estávamos em stress, porque tudo o que andava a sair na imprensa [com origem no Football Leaks] era distorcido. Esse jornalista poderia dar-nos uma ajuda, com uma versão” alternativa, apontou ainda o advogado.

Estas declarações deixaram a juíza Ana Margarida Alves estupefacta, até porque a Doyen “estava a ser assessorada por um prestigiado escritório de advogados e tinha um gabinete de imprensa”, como disse, segundo transcrição do Público.

“Não percebo a indicação de um jornalista em concreto”, realçou ainda a magistrada.

Pedro Henriques não soube dar explicações e também garantiu que não se lembrava do nome dos elementos da PJ que lhe indicaram o jornalista, nem tão pouco do nome deste.

O advogado garantiu ainda que o plano nunca foi em frente.

Na véspera, Pedro Henriques também não tinha conseguido explicar porque é que um inspector da PJ teria ajudado a Doyen, como alegou.

Inspector da PJ vai ser novamente investigado

No seguimento das declarações de Pedro Henriques, o tribunal extraiu uma nova certidão para investigar essa alegada colaboração entre o inspector Rogério Bravo e a Doyen.

As suspeitas em torno do inspector da PJ já tinham sido investigadas, mas foram arquivadas. Agora, vão ser novamente analisadas depois do requerimento nesse sentido que foi apresentado pelo advogado João Pereira dos Santos que representa Aníbal Pinto, outro dos arguidos do processo que visa Rui Pinto.

João Pereira dos Santos pediu um “apuramento cabal” da actuação policial, considerando “fortemente indiciados a prática dos crimes de falsidade de depoimento, corrupção, abuso de poder e denegação de justiça, pelo menos”, e lamentando os “contornos obscuros e manobras de encobrimento” que disse nunca ter pensado “ver em Portugal”.

  ZAP //

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