Carta revela possível envolvimento do FBI na morte de Malcolm X. Família exige reabertura do caso

Quase 56 anos depois de Malcolm X ter sido assassinado em Nova Iorque, advogados e membros da família do líder nacionalista negro e defensor dos direitos civis divulgaram novas provas que, afirmam, mostram que a polícia de Nova Iorque (NYPD) e o FBI terão estado envolvidos na sua morte.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, numa carta revelada postumamente, um ex-agente infiltrado da Polícia de Nova Iorque alega ter sido pressionado por superiores a aliciar dois dos seguranças de Malcolm X a cometer crimes, alguns dias antes do seu assassinato, em 21 de fevereiro de 1965.

As detenções terão impedido os dois homens de gerir a segurança das portas do Audubon Ballroom, em Washington Heights, no dia do tiroteio que matou Malcolm X.

O antigo polícia, que queria que o seu depoimento se tornasse público apenas após a sua morte, afirma que a NYPD e o FBI mantiveram certos aspetos do caso em segredo.

A carta, escrita por Raymond Wood, foi autorizada para libertação póstuma por um primo e foi lida no sábado numa conferência de imprensa com a presença de três filhas de Malcolm X e membros da família de Wood. Não foram fornecidos detalhes sobre as circunstâncias e o momento da morte de Wood.

“Os meus supervisores disseram-me para encorajar líderes e membros de grupos de direitos civis a cometer atos criminosos”, lê-se na carta.

No ano passado, o assassinato foi o tema de um documentário de seis partes da Netflix, “Who Killed Malcolm X?”, que reviu questões antigas sobre se dois dos três homens condenados pelo crime eram inocentes. Em 2011, um detetive da NYPD envolvido no caso escreveu que  “a investigação foi malfeita”.

O documentário levou o procurador distrital de Manhattan, Cyrus Vance Jr, a rever as condenações no caso. Após a conferência de imprensa de sábado, o gabinete de Vance disse que a revisão foi “ativa e contínua”.

Numa declaração separada, o NYPD disse que “forneceu todos os registos disponíveis relevantes para o caso” a Vance e “continua empenhado em ajudar com esta revisão de qualquer forma”. O FBI não fez comentários.

Malcolm X foi baleado segundos depois de chegar a um púlpito para discursar. Dias antes, tinha dito numa entrevista que acreditava que membros da Nação do Islão estavam a tentar matá-lo. A sua casa em Queens foi atacada uma semana antes de ser morto.

Malcolm X estava a ser vigiado pelo FBI na época.

Uma das suas filhas, Ilyasah Shabazz, disse na conferência de imprensa de sábado que viveu com décadas de incerteza. “Qualquer evidência que forneça uma maior compreensão da verdade por trás desta terrível tragédia deve ser investigada exaustivamente”, disse.

Maria Campos, ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. É bom recordar que o Malcolm X era um separatista que acreditava que as raças nunca poderiam conviver pacificamente e que a melhor solução era viverem separadas. Tinha também opiniões interessantes sobre a influencia de certos elementos judaicos nos EUA em geral e nas relações entre brancos e negros em particular.

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