Arqueólogos descobrem o que estava no cardápio dos camponeses medievais

(dr) Andy Chapman / University of Bristol

Há 30 anos, arqueólogos escavaram uma das primeiras aldeias medievais na Inglaterra e descobriram os restos de 73 recipientes usados na altura. Mas encontraram algo mais: os restos minúsculos da sua última refeição.

Investigadores da Universidade de Bristol extraíram quimicamente resíduos alimentares da olaria encontrada, uma técnica moderna conhecida como análise de resíduos orgânicos, e descobriram que muitos dos pedaços de argila contêm elementos de gordura.

“Esta descoberta confirma que a cerâmica desempenhou, muito provavelmente, um papel importante na culinária medieval, permitindo a lenta cozedura dos alimentos, nomeadamente os guisados – documentados como a base da dieta camponesa medieval”, escreveram os autores do artigo científico publicado no Journal of Archaeological Science.

Além de alguns documentos e relatos históricos, este estudo representa a primeira evidência direta de um cardápio medieval na Inglaterra. Apesar de as dietas reais serem bem documentadas, a verdade é que os cientistas não sabiam exatamente o que as classes mais baixas comiam.

Agora, os cientistas afirmam que a base da dieta saxónica eram os guisados. Segundo o ScienceAlert, os camponeses medievais cozinhavam carne bovina e carne de carneiro e ferviam repolho e outros vegetais folhosos. Esta dieta não surpreende os estudiosos, mas há uma particularidade: a pequena vila de West Cotton, em Northamptonshire, alimentava-se também de pequenos peixes.

“Foram encontradas algumas evidências do processamento de produtos suínos, mas, curiosamente, parece que os peixes não apresentavam características significativas na dieta camponesa medieval”, escreveram os autores da investigação.

Produtos lácteos estavam também entre os favoritos. Os autores deste estudo afirmam que cerca de um quarto das cerâmicas encontradas foram usados para laticínios.

Cruzando estes resultados com os restos de animais medievais encontrados no mesmo local, a equipa foi capaz de escrever uma espécie de livro de culinária camponesa medieval, que não só descreve o que os saxões comiam, como também como preparavam a refeição.

“Sabe-se muito sobre as práticas dietéticas medievais da nobreza e das instituições eclesiásticas, mas menos sobre que alimentos o campesinato medieval consumia”, afirma Julie Dunne, geoquímica da Universidade de Bristol.

ZAP //

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