Afinal, o cancro era mais comum na época medieval do que se pensava

(dr) Cambridge Archaeological Unit / St. John's College

Restos mortais encontrados no antigo hospital de São João, o Evangelista, em Cambridge

Um novo estudo da população medieval britânica mostra que as taxas de cancro eram dez vezes superiores ao que se pensava.

Quando se pensa nas causas de morte na Idade Média, a maioria provavelmente pensa em doenças como a peste ou então a fome. Mas agora, conta o site IFLScience, um novo estudo mostra que o cancro era muito mais comum do que se pensava.

As pesquisas anteriores relacionadas com as taxas de cancro limitaram-se a examinar o exterior dos ossos em busca de lesões, tendo-se chegado à conclusão que esta era uma doença rara, afetando menos de 1% da população.



Desta vez, uma equipa de investigadores da Universidade de Cambridge combinou a inspeção visual com imagens radiológicas para analisar 143 esqueletos (de seis cemitérios dentro e fora da cidade britânica) de pessoas que morreram entre o ano 500 e 1600 D.C.

“A maioria dos cancros forma-se em órgãos de tecidos moles há muito degradados em vestígios medievais. Apenas alguns se espalham para os ossos e, destes, apenas alguns são visíveis na sua superfície. Por isso, decidimos procurar dentro do osso por sinais de malignidade”, explicou Piers Mitchell, investigador do departamento de Arqueologia da universidade britânica, que conduziu o estudo como parte do projeto “After the Plague”.

As tomografias computadorizadas revelaram evidências visíveis de tumores em cinco casos (3,8%), todos do sexo masculino. Tendo em conta o facto de que, atualmente, cerca de 50% a 60% dos tumores dos tecidos nunca se espalham para os ossos, os cientistas concluíram que 9% a 14% da população inglesa durante este período pré-industrial teve cancro.

“Até agora, pensava-se que as causas mais significativas de problemas de saúde na população medieval eram doenças infecciosas, como a disenteria e a peste bubónica, juntamente com a desnutrição e ferimentos devido a acidentes ou guerras”, declarou a coautora do estudo, Jenna Dittmar, citada pelo site EurekAlert!.

“Agora, temos de adicionar o cancro como uma das principais classes de doenças que afligiam os povos medievais”, acrescentou.

Os investigadores destacam, porém, que estes números são muito mais baixos do que os atuais. No Reino Unido, cerca de 40% a 50% da população tem cancro no momento da sua morte, tornando esta doença três a quatro vezes mais comum atualmente do que na época estudada.

O estudo foi publicado, a 29 de abril, na revista científica Cancer, mas, devido a um erro, ainda só pode ser lido através deste link.

ZAP //

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