Cadetes da Escola Naval investigados por alegados comportamentos abusivos

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A Marinha está a investigar uma denúncia sobre alegados comportamentos abusivos entre cadetes da Escola Naval.

“A Marinha informa que hoje, 19 de outubro, teve conhecimento de uma denúncia sobre alegados comportamentos abusivos praticados entre cadetes da Escola Naval”, lê-se numa nota publicada, na terça-feira à noite, no site da Marinha.

O ramo adianta ainda que “não recebeu diretamente qualquer denúncia relativamente ao alegado comportamento entre cadetes”, contudo, atendendo à situação, “iniciou as diligências internas para averiguar e apurar a veracidade dos factos relatados e eventuais responsabilidades”.

De acordo com a TVI, a queixa terá sido feita por um familiar de um cadete, aluno do primeiro ano, por situações de praxe abusiva, incluindo, alegadamente, alguma violência.

No entanto, segundo apurou o mesmo canal, existem dados que não batem certo, como o nome dos envolvidos, uma vez que alguns dos suspeitos já não estão em funções.

Entretanto, em declarações à agência Lusa, a mãe de um dos cadetes do primeiro ano relatou que o seu filho sofreu abusos físicos, “mas sobretudo psicológicos”, enquanto frequentou esta instituição.

A entrevistada, que pediu para não ser identificada por recear repercussões para o filho, que tem agora 18 anos, relatou um ambiente de “praxe constante” entre cadetes mais velhos e mais novos nos poucos meses em que o filho frequentou a instituição.

“Eu não tinha a noção, não tinha conhecimento de um centésimo do que se passava lá dentro, senão nunca na vida teria ficado até este ponto, o meu filho saiu hoje”, disse esta mãe à Lusa.

Segundo o relato feito pelo seu filho, “pior do que a parte física é realmente a parte psicológica” e “as ameaças que recebem são muitas, inclusive de não contar em casa o que se passa lá”.

Uma das situações indicadas por esta mãe está relacionada com uma privação do sono, em que os cadetes alegadamente são forçados a praticar atividades físicas durante a noite.

De acordo com este relato, os castigos entre cadetes eram “constantes” como, por exemplo, saber informações sobre determinados alunos e responder a perguntas. Às refeições, adiantou, eram “bombardeados” com questões de todo o tipo.

“Ele diz, ‘não sabemos se é pior sentarmo-nos para comer, se é pior mandarem-nos fazer trinta flexões, se é pior termos que nadar durante a noite e dormirmos com os fatos molhados porque não nos deixam trocar de roupa quando chegamos ao quarto. Se é pior fazerem-nos deitar na cama mas sem colchão, (…) as poucas horas que dormimos é em cima de um estrado ou molhados”, relatou.

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Esta mãe adiantou ainda que o seu filho levou “pontapés” dos cadetes mais velhos por não estar “na posição correcta” em certos exercícios e noutros casos “cuspiram-lhe na cara”.

“Ele vai para um psicólogo, estou a tratar disso, porque ele diz que não é a mesma pessoa que lá entrou e não sabe se alguma vez o será”, disse.

De acordo com o relato deste filho à sua mãe, “toda a gente dentro da Escola Naval tem conhecimento do que se passa”.

“Em pleno século XXI isto não cabe na cabeça de ninguém. Eles estão a tentar transmitir valores e eu acredito muito nos valores das Forças Armadas, eu sou filha de um militar, mas isto não são valores que estão a transmitir”, considerou.

  ZAP // Lusa

6 Comments

  1. Pois, parece que as instituições em Portugal estão pejadas de fanfarrões.
    Uns cobardolas frustrados, que são fortes para os fracos, e fracos para os fortes, uns cobardolas que nunca aprenderam a construir coisas positivas ou a evidenciarem-se pela positiva.
    A escola naval até já teve denúncias não há muito tempo. Denúncias que também vieram a público e que acabaram arquivadas…
    Nos comandos o desfecho foi o que se sabe…
    Como é que se continua a permitir praxe dentro das universidades ou de outra qualquer instituição?! A praxe devia ser completamente abolida. O que devia haver era integração e isso não é praxe.
    As autoridades devem punir exemplarmente esses comportamentos, e puni-los sem qualquer complacência.
    Esperemos para ver a coragem das autoridades…
    Ou será Portugal um país de lambe-botismo, em que não nos importamos de lamber agora, para obrigar a que nos lambam a nós depois…

  2. Infelizmente, nao concordo com a mae deste ex-cadete, quando diz que aquelas praticas nao se destinam a transmitir valores. Sao valores, sim, como todas as praticas similares na academia: sao os valores do fascismo.

    Obediencia imposta a hierarquia (neste caso, os “mais novos” sao o fundo da hierarquia) mesmo que abusiva; sede de poder doentio nos executores deste abuso; pseudo-“masculinidade guerreira”; forjar obediencia corporativa cega, sao a marca da ideologia fascista, de que fui testemunha directa durante o periodo negro da ditadura. Hannah Arendt descreveu isto muito bem, quando resumiu na frase ” a ascencao dos mediocres ao poder”. Freud diria que resulta de terem medo de ter uma pilinha pequena, e precisarem de compensar…

    So’ mediocres com complexo de inferioridade precisam doentiamente de exercer poder abusivo, e as praxes, sobretudo quando disfarcadas de pretensoes de “enrijecer”, de criar “virtudes guerreiras”, sao formas mal disfarcadas de destruicao de humanidade e da dignidade do individuo, para facilitar essa sujeicao e obediencia cega ao poder, mesmo de mediocres, sobretudo de mediocres, caracteristica de fanaticos fascistas e nazis.

    Lideres capazes, nao precisam de manifestacoes doentias e abusivas, nem de despir os subordinados da sua dignidade, para liderar. Exercitos com missoes compativeis com os interesses da humanidade, nao precisam de criar servos com obediencia cega – so’ “lideres” mediocres, e exercitos com intencoes de cometer crimes contra a humanidade, benefeciam destas praticas.

    E’ altamente preocupante que a semente do fascismo esteja de novo a’ solta, especialmente nos centros de poder, como seja as forcas armadas.
    Ainda mais preocupante, e’ a cumplicidade dos actuais lideres neste estado de coisas – se nao sao ja’, eles proprios, o produto desta fabrica…

    • Pois, li no seu comentário a seguinte frase: “Sao valores, sim, como todas as praticas similares na academia: sao os valores do fascismo”
      E porque não os valores do comunismo? Ou será que há opressão boa e má?
      O que eu vejo neste exemplo é falta de respeito e comportamentos inadmissíveis. Ó que eu vejo é falta de caráter. Vejo aqui como já vi ao vivo e na primeira pessoa em diferentes locais, e os atores (os vilões), tanto eram de esquerda como de direita. Aquilo que os unia era apenas a fraqueza, o falta de carácter e a covardia. Qualquer regime (de esquerda ou de direita) opressor, ditatorial e da anulação da individualidade é terreno fértil para essa gente se mover

      • Porque nao valores do comunismo? Porque nao sao esses os valores do comunismo. Em vez de repetir cassettes, de-se ao trabalho de ler os valores defendidos pelo fundador do comunismo, Karl Marx, e dos fundadores do Fascismo, como Mussolini e Salazar, e do Nazismo, como Hitler. So’ nao ve a diferenca, se nao quer ver, e como diz o povo, nao ha’ maior cego que aquele que nao quer ver.

        Se o que quer dizer e’ que, em nome do comunismo, se cometeram e cometem muitos crimes e opressao, nao tenho a menor duvida em concordar. Apenas acrescentaria a lista de crimes e opressao feita em nome da democracia, em nome de Deus, etc, etc, etc.

        Portanto, nao sejamos demagogicos nem mentecaptos repetidores de cassettes.

        • São valores do comunismo, sim! O comunismo não respeita a liberdade individual. O comunismo é mais uma forma de ditadura.
          Fascismo, comunismo e, como muito bem disse, a religião (religião e não crença, que é outra coisa, pois a crença é um conceito pessoal, enquanto a religião é um conjunto de regras criadas por uns para serem seguidas por todos), são diferentes maneiras de limitar e oprimir a liberdade individual.
          Em todos os casos usam-se pretensos valores superiores (o nação, a comunidade, um ser divino, etc.) para manipular, controlar e oprimir a liberdade individual.
          Em todos os casos não faltam exemplos, passados e presentes, do enorme sofrimento provocado a imensas pessoas.
          Em todos os casos estão criadas as condições ideais para que ditadores perversos limitem a liberdade dos outros, através da manipulação de valores ditos “incontestáveis”.
          O que falta em Portugal e no mundo é mais liberalismo, noção de responsabilidade e respeito, e isso o comunismo não nos irá trazer de certeza, como não trouxe em Cuba, na Coreia, na Venezuela ou na URSS.

  3. São valores do comunismo, sim! O comunismo não respeita a liberdade individual. O comunismo é mais uma forma de ditadura.
    Fascismo, comunismo e, como muito bem disse, a religião (religião e não crença, que é outra coisa, pois a crença é um conceito pessoal, enquanto a religião é um conjunto de regras criadas por uns para serem seguidas por todos), são diferentes maneiras de limitar e oprimir a liberdade individual.
    Em todos os casos usam-se pretensos valores superiores (o nação, a comunidade, um ser divino, etc.) para manipular, controlar e oprimir a liberdade individual.
    Em todos os casos não faltam exemplos, passados e presentes, do enorme sofrimento provocado a imensas pessoas.
    Em todos os casos estão criadas as condições ideais para que ditadores perversos limitem a liberdade dos outros, através da manipulação de valores ditos “incontestáveis”.
    O que falta em Portugal e no mundo é mais liberalismo, noção de responsabilidade e respeito, e isso o comunismo não nos irá trazer de certeza, como não trouxe em Cuba, na Coreia, na Venezuela ou na URSS.

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