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Bolsonaro será acusado de 11 crimes na gestão da pandemia, entre os quais homicídio

O senador Renan Calheiros, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a gestão da pandemia, anunciou que Jair Bolsonaro deverá ser indiciado de 11 crimes, entre os quais o de homicídio.

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga alegadas falhas e omissões do Executivo brasileiro na gestão da pandemia, o senador Renan Calheiros, anunciou que Jair Bolsonaro deverá ser acusado de 11 crimes.

Calheiros, que vai apresentar na próxima semana o relatório final da investigação, afirmou à rádio CBN que deverá acusar o Presidente de epidemia com resultado em morte; infração de medidas sanitárias; emprego irregular de verbas públicas; incitação ao crime; falsificação de documento particular; charlatanismo; prevaricação; genocídio de indígenas; crime contra a Humanidade; crime de responsabilidade; e homicídio por omissão.

O senador explicou que a acusação de homicídio significa, neste caso, que o Presidente não cumpriu o seu dever legal de evitar a morte de milhares de brasileiros durante a pandemia.

Além de do chefe de Estado brasileiro, ministros, ex-ministros e filhos de Bolsonaro também deverão constar na lista de acusados.

Depois da apresentação do relatório final da investigação, no dia 19 de outubro, a expectativa é que o relatório seja votado logo no dia seguinte (20), adianta o portal G1. De seguida, o texto será enviado ao Ministério Público brasileiro, responsável por decidir se leva para a frente, ou não, os pedidos feitos pela CPI.

Esta sexta-feira, Jair Bolsonaro optou por ironizar a possível acusação de homicídio feita por esta comissão. “Sabiam que eu fui indiciado hoje por homicídio? A CPI indiciou-me por homicídio. Renan Calheiros indiciou-me por homicídio. Onze crimes”, disse o Presidente, entre risos, numa conversa com apoiantes no Palácio da Alvorada, a sua residência oficial.

“O que nós gastamos com auxílio de emergência [subsídio dado a desempregados na pandemia] foi o equivalente a 13 anos de Bolsa Família [programa social criado pelo ex-Presidente Lula da Silva]. Há indivíduos que ainda criticam. O Renan chama-me de homicida. Um bandido daqueles. Bandido é um elogio para ele. (…) O Renan acha que eu não vou dormir porque está a chamar-me de homicida, está de ‘sacanagem’.”

“O que é que passa na cabeça do Renan Calheiros naquela CPI? (…) O que é que passa na sua cabeça com este indiciamento? Este indiciamento, para o mundo todo, é que eu sou homicida. Eu não vi nenhum chefe de estado [governador estadual] ser acusado de homicida no Brasil por causa da pandemia e olhem que eu dei dinheiro a todos eles“, afirmou ainda.

A Comissão foi instalada no Senado brasileiro em abril passado e, desde então, tem apurado indícios de inúmeras irregularidades, que vão desde a defesa de fármacos ineficazes contra a doença por parte do Governo, até possíveis casos de corrupção na negociação de vacinas.

Marcada por várias polémicas e revelações, a CPI ouviu mais de 50 pessoas, entre ministros e ex-ministros, especialistas em Saúde, empresários, advogados, funcionários públicos, entre outros, e abordou ainda alegadas falhas na gestão da pandemia, como a demora na aquisição de vacinas ou a crise de oxigénio no Amazonas, que matou dezenas de pacientes por asfixia.

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  ZAP // Lusa

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