Benfica 1-2 Leipzig | Águias sem asas para o Leipzig

Rodrigo Antunes / Lusa

O Benfica arrancou a sua participação na fase de grupos da Liga dos Campeões 2019/20 da pior forma, com uma derrota caseira por 2-1.

A formação “encarnada” recebeu o Leipzig e nunca conseguiu dominar o futebol alemão, em especial a forma como estes recuperavam a bola e a colocavam rapidamente na área benfiquista, com muitos elementos em constantes mudanças de posição.

Timo Werner foi o carrasco das “águias” ao bisar na segunda parte, com Haris Seferovic a reduzir perto do fim, pouco depois de ter entrado, e o guarda-redes Péter Gulácsi foi um dos responsáveis por o Benfica ter marcado apenas um golo.

O jogo explicado em números

  • Primeiros 15 minutos de jogo algo repartidos, com o Leipzig a ter um pouco mais de bola (52% de posse) e a marcar um golo, anulado por fora-de-jogo, mas o Benfica a registar os dois únicos remates, ambos de fora da área e sem a melhor direcção.
  • Pouco mudou até à meia-hora, altura em que os “encarnados” conseguiram assentar um pouco o seu jogo e melhorar a qualidade do passe, com 88% de eficácia, mas permitiam contra-ataques rápidos por parte dos alemães, algumas vezes em superioridade numérica. Ainda assim, o Leipzig só conseguiu um remate, para boa defesa de Vlachodimos.
  • Adel Taarabt era um dos mais esclarecidos da formação da Luz, liderando os ratings nesta fase com 6.3, em especial pela certeza no passe (20 completos em 22) e pela forma fácil como ultrapassava adversários, registando já quatro dribles completos em outras tantas tentativas. O jovem Jota, com cinco maus controlos de bola e dois desarmes sofridos, sentia algumas dificuldades para entrar na partida.
  • O lance mais perigoso do Benfica na primeira parte aconteceu nos descontos, com Raúl de Tomás a surgir ao segundo poste, após livre, a cabecear para defesa muito difícil de Péter Gulácsi. Mas os alemães estavam mais atrevidos.
  • Etapa inicial difícil para o Benfica, que nunca conseguiu agarrar no jogo e dominar o seu adversário – apesar da percentagem de posse ligeiramente superior por parte dos portugueses.
  • O Leipzig conseguiu sempre recuperar a bola e lançar transições muito rápidas pelos flancos, com muitos homens na frente, e chegou ao descanso com o mesmo número de remates das “águias”, mas mais perigo nas suas incursões.
  • O melhor ao intervalo era o médio Diego Demme, com GoalPoint Rating de 6.4, enquanto do lado benfiquista, Taarabt era o mais esclarecido, com 6.3, fruto de quatro dribles completos e uma facilidade acima da média para “esconder” o esférico (45 acções com bola, somente sete perdas).
  • Logo no arranque do segundo tempo, Vlachodimos, com um ligeiro toque, impediu que Timo Werner empurrasse facilmente para o primeiro da partida. O Benfica continuava a sentir muitas dificuldades para controlar a partida e teve menos bola (42%) que os alemães no primeiro quarto-de-hora do segundo tempo.
  • Pizzi teve nos pés a melhor ocasião do Benfica, aos 61 minutos, mas dominou mal a bola quando se encontrava solto na direita e o seu remate saiu fraco, para as mãos de Gulácsi. Aliás, as “águias” só somavam três acções com bola na área contrária nesta fase, desde o intervalo, duas delas pelo médio.
  • Aos 68 minutos, Pizzi teve nos pés mais uma excelente oportunidade, mas o seu remate cruzado saiu rente ao poste. E do lado contrário, o Leipzig não falhou. Aos 69 minutos, Timo Werner viu uma oportunidade de remate na grande área e não hesitou, fazendo o 1-0 ao quinto remate alemão no segundo tempo (décimo no total), primeiro enquadrado.
  • Gulácsi impediu o golo a Grimaldo, de livre, aos 71 minutos, numa fase em que o Benfica preparava o assalto à baliza contrária, e fez o mesmo a Franco Cervi aos 74 minutos. Mas a eficácia estava do outro lado e Timo Werner fez o 2-0 aos 78 minutos, num lance em que só precisou de encostar (validado pelo VAR após ter sido inicialmente anulado).
  • O Benfica não baixou os braços e o recém-entrado Haris Seferovic reduziu aos 83 minutos, assistência do também recém-entrado Rafa Silva – isto ao quinto remate enquadrado dos “encarnados” na segunda parte, em nove tentativas. Mas era tarde demais e os alemães saíram da Luz com os três pontos.

O melhor em campo GoalPoint

Na segunda parte o Benfica melhorou sobremaneira a qualidade dos seus remates, terminando com cinco enquadrados em 11 tentativas.

Nesta fase, o húngaro Péter Gulácsi – insistentemente associado ao Benfica no mercado de Verão – foi fundamental, ao realizar algumas intervenções de grande qualidade. O guarda-redes terminou a partida com seis defesas, máximo dos jogos desta terça-feira na competição, cinco delas a remates na sua grande área e um a disparo ao ângulo superior.

Terminou, assim, como o melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 7.4.

Jogadores em foco

  • Álex Grimaldo 6.7 – O melhor do Benfica. O lateral espanhol fez dois passes para finalização e cinco cruzamentos (um eficaz), completou duas de quatro tentativas de drible, e também esteve muito bem na retaguarda, com dez acções defensivas, com destaque para dois bloqueios de remate e outros tantos bloqueios de cruzamento.
  • Haris Seferovic 6.4 – O suíço só jogou 17 minutos, mas entrou com muita vontade de mostrar serviço e fez um golo no único remate que fez. E ainda foi a tempo de realizar um passe para finalização.
  • Adel Taarabt 6.3 – O marroquino surge nesta fase da época como solução para várias questões. Tanto joga a “8” como a “10”, ou surge nas costas do ponta-de-lança. Apesar desta indecisão posicional, Taarabt tem cumprido, tendo sido o melhor do Benfica durante grande parte do jogo. Fez quatro remates, todos desenquadrados, recuperou 12 vezes a posse e criou uma ocasião flagrante, mas foi no drible que brilhou, com seis completos em nove tentativas.
  • Raúl de Tomás 5.6 – O espanhol esforçou-se, ao ponto de mostrar desespero quando os lances não lhe corriam de feição. Esse foi o grande mérito do avançado, que voltou a não marcar, apesar de ter realizado seis remates (máximo do jogo) e enquadrado três deles.
  • Diego Demme 7.0 – O médio alemão “limpou” o meio-campo e arrumou a casa do Leipzig. Para além de ter sido o jogador mais interveniente, com 114 acções com bola, completou duas de três tentativas de drible, recuperou cinco vezes a posse de bola e somou 12 acções defensivas, com destaque para cinco desarmes e quatro intercepções.
  • Timo Werner 7.0 – O internacional alemão mostrou sempre uma qualidade superior, sendo um autêntico quebra-cabeças para a defesa benfiquista. Timo marcou os dois golos dos germânicos, em quatro remates (três enquadrados), e fez um passe de ruptura.

Resumo

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