Especialistas preocupados com aumento de casos. Situação “exige cautela”

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O número de novos casos de covid-19 tem aumentado em Portugal e a preocupação cresce, sobretudo numa altura em que o inverno está a dar os primeiros sinais de aparecimento.

A subida no número de casos já se faz sentir no aumento do índice de transmissibilidade R(t), o que faz com que alguns especialistas defendam a aplicação de medidas preventivas para que o próximo inverno não seja tão desastroso como o da temporada passada.

Em declarações ao Expresso, Bernardo Mateiro Gomes, médico especialista em saúde pública, destaca que os números da pandemia das últimas semanas mostram, desde logo, “que a pandemia não acabou“, sobretudo porque há pessoas “que ainda não estão vacinadas” e outras que mesmo estando protegidas pela vacina são mais vulneráveis.

Assim, o especialista faz uma previsão daquilo que pode acontecer em Portugal nas próximas semanas: um aumento do número de infeções, seja porque, com o inverno, as pessoas vão passar mais tempo em casa, seja porque o tempo frio “favorece a transmissão do vírus”.

No entanto, refere que esta situação não vai provocar um cenário tão negro como aquele que ocorreu no ano passado. “Em novembro, haverá provavelmente um aumento do número de casos, mas sem um aumento proporcional do número de óbitos e internamentos”.

Face a esta possibilidade, há medidas que devem ser equacionadas, nomeadamente ao nível da ventilação dos espaços, defende Mateiro Gomes. “Continuamos a ter relatos de pessoas fechadas em gabinetes a trabalhar. Devíamos pensar na qualidade do ar como pensamos na qualidade de água”, realça.

Por outro lado, o médico defende ainda que deveria ser implementado “um modelo que facilitasse o acesso” aos testes rápidos de antigénio nas farmácias e, na prática, os tornasse mais baratos para a população.

Na perspetiva deste especialista, a situação exige “cautela”, e esta deve ser transmitida às pessoas. “Se se verificar que há zonas geográficas que causam especial preocupação, devido à evolução do vírus, essas zonas devem ser mencionadas e as populações que nela residem devem ser avisadas e aconselhadas a redobrar cuidados”, alerta.

Mateiro Gomes conclui que “é melhor prevenir do que remediar. É preciso mobilizar tranquilamente as pessoas. Não podemos viver num círculo permanente de pânico e negligência e passar por um processo de tudo ou nada. É importante continuar a comunicar a incerteza, para que a vida coletiva continue sem grandes sobressaltos”.

Tiago Correia, especialista em saúde pública internacional no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa, mostra-se mais reticente com o futuro.

“A situação no nosso país é uma grande incógnita. Ainda não se sabe que tendência teremos nas próximas semanas”, sublinha, apontando como única certeza que o facto da incidência aumentar vai fazer com que hajam “mais casos suspeitos, em vigilância. E isso vai colocar novamente pressão sobre as medidas de rastreio”.

Ainda assim, para Tiago Correia, ainda não chegou a hora de avançar com medidas específicas — e “tomar medidas cedo demais” pode fazer com que estas “não sejam eficazes”.

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