Ator da série Empire passou de vítima de ataque racista a suspeito de o ter forjado

idominick / Flickr

Jussie Smollett

O ator americano Jussie Smollett, que interpreta Jamal Lyon na série Empire, foi preso nesta quinta-feira sob acusação de ter feito uma queixa-crime falsa.

O ator Jussie Smollett, de 36 anos, disse ter sido agredido fisicamente, por dois homens brancos, e alvo de insultos racistas e homofóbicos, em janeiro.

A versão de Jussie começou a ser questionada, segundo a imprensa americana, após a polícia começar a suspeitar que o ator pagou a dois irmãos nigerianos para encenar o ataque. O ator nega a acusação. Antes da prisão, os seus advogados informaram que iriam “conduzir uma investigação minuciosa e montar uma defesa agressiva”.

“Como qualquer outro cidadão, Smollett tem direito à presunção de inocência, particularmente quando há uma investigação como essa, em que as informações, verdadeiras ou falsas, vazaram repetidas vezes”, informaram em comunicado, Todd Pugh e Victor Henderson, advogados que representam o ator.

Ontem, o canal televisivo CBS, de Chicago, divulgou imagens de câmaras de segurança a que teve acesso, que aparentemente mostram os dois irmãos suspeitos a comprar acessórios, incluindo máscaras de esqui que teriam sido usadas ​​pelos agressores.

Os suspeitos deixaram os EUA após o suposto ataque e foram presos ao voltar para o país na semana passada. Em seguida, foram libertados e dizem estar a cooperar com a investigação. Um dos irmãos é personal trainer de Smollett e ambos trabalharam como figurantes na série Empire.

A sua advogada, Gloria Schmidt, afirmou que ambos estão a colaborar com as autoridades. “Eu acho que a consciência de Jussie não está a deixar que ele durma à noite”, afirmou.

A versão de Smollett

O ator, que é abertamente gay, contou que saiu para comprar comida de madrugada, no dia 29 de janeiro, quando dois homens brancos começaram a disparar insultos raciais e homofóbicos contra ele, além de agredi-lo com socos. Jussie disse ainda que lhe atiraram com uma “substância química e enrolaram uma corda à volta do seu pescoço.

Este é o país do MAGA“, teriam dito os agressores, fazendo referência ao slogan “Make America Great Again” usado na campanha eleitoral pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O suposto ataque não foi captado por câmaras de segurança ou visto por testemunhas.

A notícia do suposto ataque provocou uma onda de manifestações de solidariedade a Smollett, incluindo estrelas como a atriz Viola Davis e a super modelo Naomi Campbell.

Ao se pronunciar pela primeira vez sobre o incidente, Smollett afirmou: “A demonstração de amor e apoio do meu povo significou mais do que jamais poderei verdadeiramente expressar em palavras”. “Estou a trabalhar com as autoridades e tenho sido 100% objetivo e consistente em todos os níveis”, acrescentou em comunicado.

A cronologia da investigação

No dia 31 de janeiro, Smollett recusou-se a entregar o seu telemóvel à polícia para investigar o ataque. A polícia queria confirmar detalhes – incluindo as referências ao “Maga” – uma vez que o ator afirmou que estava ao telemóvel com o seu empresário.

Consequentemente, a polícia declarou que não iria exigir o telemóvel. “Ele é uma vítima. Não o tratamos como um criminoso.”  Mais adiante, o ator justificou a recusa: “Tenho fotos e vídeos privados, números… Os meus e-mails particulares, as minhas músicas privadas, as minhas mensagens de voz particulares”.

No dia seguinte, a polícia de Chicago divulgou imagens de câmaras de segurança de dois suspeitos que estavam na área do ataque.

No dia 11 de fevereiro, Smollett entregou finalmente à polícia um arquivo em PDF dos seus registos telefónicos, após se ter recusado a atender à solicitação num primeiro momento. Mas o arquivo havia sido editado – algumas partes foram encobertas.

Na ocasião, a polícia disse que não havia motivo para suspeitar de qualquer irregularidade por parte de Smollett e “nem sequer estava a pensar acusá-lo pela apresentação de um relatório falso”.

Três dias depois, os irmãos Obabinjo e Abimbola Osundairo, que apareciam nas imagens das câmaras de segurança, foram detidos e interrogados pela polícia, mas não foram acusados ou tratados como suspeitos. Os irmãos Osundairo trabalharam como figurantes na série Empire e costumavam frequentar o ginásio com Jussie Smollett.

Reviravolta no rumo das investigações

No dia 17 de fevereiro, a polícia de Chicago citou “alguns desdobramentos da investigação” e que precisava de falar com “o indivíduo que relatou o incidente” – Jussie Smollett.

Os advogados do ator afirmaram num comunicado: “Jussie Smollett está irritado e devastado pelos recentes relatos de que os perpetradores são pessoas que ele conhece”. Eles acrescentaram que era “impossível acreditar” que os irmãos Osundairo “poderiam estar envolvidos no crime contra Jussie ou terem alegado falsamente a conivência de Jussie”.

No dia 20 de fevereiro, a polícia anunciou que o ator estava acusado de “conduta desordeira / registo de queixa-crime falsa”. No dia seguinte, a detenção de Smollett foi anunciada.

// BBC

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1 COMENTÁRIO

  1. O racismo existe, em todas em etnias, não apenas na raça branca.
    Mas criar cenas de racismo de ficção já é esticar um pouco a corda!

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