Atlântidas da vida real. Entre cidades antigas e futuristas, há um mundo submerso a descobrir

Desde civilizações antigas que se afundaram até planos para cidades futuristas submersas, há todo um mundo para ser explorado nas profundezas do oceano.

Já há séculos que a mítica cidade de Atlântida suscita a curiosidade sobre as cidades afundadas no oceano, tendo a história até sido eternizada num filme da Disney. Mas apesar de a existência da mítica cidade afundada ser apenas uma lenda, há muitas cidades reais a visitar que por motivos mais ou menos naturais, acabaram submersas.

Port Royal, Jamaica: cidade malvada

Reza a lenda que foi uma vez um refúgio para piratas como Sir Henry Morgan e conhecida como a “cidade mais malvada do Ocidente“, famosa pelo dinheiro e álcool.



Um terramoto em 1692 levou à destruição da maior parte da cidade original, mas este tesouro arqueológico ainda pode ser visitado já que foram encontrados oito edifícios em diferentes estados de degradação. A UNESCO descreveu a cidade como uma “colecção incomparável de artefactos in situ“.

Baiae, Itália: Atlântida para turistas

Conhecida pelos seus hábitos hedonistas, durante 2000 anos Baiae foi uma atracção para visitantes ricos que queriam tomar banho nas termas e spas. Muitos imperadores romanos adicionaram palácios e piscinas à cidade e as festas com álcool à mistura nas praias eram comuns, até ao saque no século VIII pelos sarracenos.

Baiae foi desertada por volta de 1500 e ficou submersa devido a actividade sob a crosta terrestre. Hoje em dia, tanto as ruínas debaixo de água como as que ainda estão à superfície estão abertas a visitas turísticas – uma Atlântida à espera de visitas.

Heracleion, Egipto: estátuas gigantes a 2000 metros

Localizada na costa da cidade de Abu-Qir perto de Alexandria, fica a cidade de Heracleion. Descoberta em 2000 a nove metros de profundidade, escavações na cidade já encontraram estátuas gigantes, jóias, navios naufragados ou moedas datadas do reinado Ptolemaico.

Até agora, não há certezas sobre o que terá levado ao afundamento, mas inundações causadas pelas marés ou terramotos podem ser a chave, já que a cidade foi construída sobre muita argila, o que permite aos edifícios afundarem-se lentamente.

Pavlopetri, Grécia: uma Atlântida de há 5000 anos

Descoberta em 1967 pelo geoarqueólogo marinho Nic Flemming, esta a cidade submersa foi originalmente datada da era Micênica (entre 1600 e 1100 A.C), mas os arqueólogos agora acreditam que a cidade pode ter mais de 5000 anos.

Em 2009, uma equipa de investigadores internacionais fez uma pesquisa da área com equipamentos robóticos debaixo de água, o que lhes permitiu criar uma imagem 3D do que Pavlopetri teria sido no seu auge. Uma designação patrimonial da UNESCO em 2016 tem ajudado a proteger a cidade de danos causados por navios, poluição ou construções na área.

Atlit-Yam, Israel: uma mulher e um bebé com história

Era mais uma vila do que uma cidade, mas Atlit-Yam, localizada na costa norte de Israel, ainda tem uma quantidade impressionante de material debaixo de água, especialmente tendo em conta que o sítio tem entre 7500 e 8000 anos.

Dois indivíduos enterrados na cidade, uma mulher e um bebé, mostram indícios de terem tido tuberculose, sendo assim os mais antigos doentes de tuberculose encontrados até agora. O aumento do nível das águas do mar acabou por obrigar os residentes a abandonar a cidade.

Shi Cheng, China: a Atlântida do leão

Ficou submersa em 1959 quando o lago aritifical Qiandao foi construído para criar energia hidroeléctrica. Shi Cheng, que significa cidade do leão, foi fundada há 1400 anos, mas só foi redescoberta em 2001.

É a casa de muitos artefactos da arquitectura das dinastias Ming e Qing como templos ou pagodes. Devido à temperatura e à profundidade a que se encontra, apenas mergulhadores experientes podem visitar esta Atlântida chinesa.

Ocean Spiral, um projecto para o futuro

Há muitos exemplos de cidades do passado submersas, mas e as Atlântidas futuro? É para isso que a empresa japonesa Shimizu Corporation está a trabalhar.

“Está na hora de criarmos um novo interface com o oceano profundo, a última fronteira da Terra. O oceano cobre 70% da superfície da Terra. Cerca de 80% disso é oceano profundo. O oceano profundo tem um enorme potencial para garantir ciclos adequados na biosfera global. Mas nós ainda não aproveitamos esse potencial“, escreve a empresa.

A proposta descreve a Ocean Spiral como “mais segura e confortável” do que as cidades actuais por não ser afectada por furacões ou terramotos e devido à temperatura constante do oceano.

A empresa ambiciona também conseguir gerar concentrações de oxgénio maiores do que na atmosfera terrestre. Apesar de soar a coisa de filme de ficção científica, a Shimizu Corporation acredita que a Ocean Spiral possa ser uma realidade já em 2030.

AP, ZAP //

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