Cientistas defendem que vivemos numa bolha gigante em forma de croissant

Merav Opher / Boston University

Os físicos revelaram um novo modelo refinado da heliosfera – a vasta região ao redor do Sol que se estende mais do que o dobro de Plutão -, descrevendo-o como um campo de força magnético em forma decrescente, semelhante a um croissant.

Todos os planetas do nosso Sistema Solar – incluindo a Terra – estão presos dentro de uma bolha de vento solar, que emane do Sol a velocidades supersónicas.

As partículas que compõem esse vento criam um campo magnético invisível, que nos protege do resto do espaço interestelar. Há décadas que os astrónomos analisam esse sistema de radiação e magnetismo conhecido como heliosfera, mapeando os seus limites para descobrir a sua forma.

Agora, um novo modelo feito por especialistas de várias universidades diferentes sugere que é uma fusão estranha de praticamente todas as teorias.

Durante muitos anos, os cientistas pensaram que a heliosfera se assemelhava a um cometa, com um nariz redondo numa extremidade e uma cauda na outra.

NASA/JPL-Caltech

Em 2015, dados da nave espacial Voyager 1 sugeriram que havia duas caudas, fazendo com que a heliosfera se assemelhar a um croissant. Dois anos depois, dados da missão Cassini sugeriram que deveria ser como uma bola de praia gigante.

“Não se aceita este tipo de mudança facilmente”, disse Tom Krimigis, que liderou experência na Cassini e na Voyager, em comunicado. “Toda a comunidade científica que trabalha nessa área assumiu há mais de 55 anos que a heliosfera tinha uma cauda de cometa”.

Se o novo modelo estiver correto, a heliosfera pode muito bem ser modelada como uma bola de praia vazia e um croissant – depende apenas de onde e como se define o limite.

Pensa-se que a heliosfera se estenda mais do que o dobro de Plutão, com o vento solar a empurrar constantemente a matéria interestelar, protegendo-nos de partículas carregadas que, de outra forma, poderiam romper o nosso Sistema Solar.

Usando dados da sonda New Horizons, os astrónomos descobriram uma forma de estabelecer um limite. Em vez de assumir que as partículas carregadas são todas iguais, o novo modelo divide-as em dois grupos: partículas carregadas do vento solar e partículas neutras à deriva no Sistema Solar.

Ao contrário das partículas carregadas no espaço interestelar, os “iões de captação” neutros podem deslizar pela heliosfera facilmente, antes dos seus eletrões serem destruídos. Ao comparar a temperatura, a densidade e a velocidade desses iões de captação com as ondas solares, a equipa descobriu como definir a forma da heliosfera.

“O esgotamento dos iões de captação, devido à troca de carga com os átomos de hidrogénio neutro do meio interestelar na heliosfera, arrefece-a, esvaziando-a e levando a uma heliosfera mais estreita e a uma forma mais pequena e mais redonda, confirmando a forma sugerida pelas observações da Cassini”, escrevem os autores no estudo publicado este mês na revista científica Nature Astronomy.

Assim, dependendo de onde se definir o limite, a heliosfera pode parecer uma esfera vazia ou uma lua crescente.

Para entender completamente a heliosfera, ainda precisamos de muitos dados. Enquanto lentamente começamos a reconciliar os nossos modelos, estes ainda são limitados. Além das duas naves espaciais Voyager lançadas há mais de quatro décadas, nenhum outro veículo ultrapassou os seus limites.

Assim, alguns astrónomos estão a pedir à NASA que envie uma sonda na próxima década para investigar e começar a explorar a bolha do Sol onde vivemos.

ZAP //

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