É mesmo possível viajar fisicamente para o passado, explica Ethan Siegel

Kjordand / Wikimedia

É possível viajar para o passado. “Basta” um gigantesco wormhole criado por um buraco negro supermassivo

O astrofísico Ethan Siegel afirma no seu blog Starts With A Bang, na revista Forbes, que a ideia de viajar para o passado pode ser possível “graças a algumas propriedades muito interessantes do tempo e do espaço, segundo a teoria de relatividade geral de Albert Einstein”.

O cientista norte-americano Ethan Siegel baseia-se do conceito de wormholes, também conhecidos como pontes de Einstein-Rosen, consideradas passagens através do espaço-tempo, para garantir que a ideia de viajar para o passado pode ser possível.

No universo, no tecido do espaço-tempo há minúsculas flutuações quânticas, incluindo flutuações de energia em direcções “positivas” e “negativas”, explica Siegel.

“Uma flutuação de energia positiva muito forte e densa criaria um espaço curvo de uma forma particular, enquanto uma forte flutuação de energia negativa curvaria o espaço exactamente da forma oposta”, escreve Siegel no seu blog Starts With a Bang.

“Se interligarmos essas duas áreas de curvatura, poderíamos alcançar — por um breve instante — a noção de um wormhole quântico“, diz o controverso cientista, que em setembro afirmou que o Big Bang não foi o início do Universo.

De acordo com o astrofísico americano, caso um wormhole esteja aberto tempo suficiente, uma partícula poderia ser transportada através dele – ou seja, desapareceria instantaneamente num lugar no espaço-tempo e reapareceria imediatamente no outro. Mas para transportar uma pessoa, seria necessário “um pouco mais de esforço”.

O astrofísico explica que, se criarmos um buraco negro supermassivo e uma sua contrapartida de massa hipotética ou energia negativa, que ainda não foi descoberta, ao ligá-los, poderemos criar também um wormhole transitável.

(dr) Hannes Hummel / Quanta Magazine

O tecido do espaço-tempo, dois wormholes e os seus buracos-negros (conceito artístico)

E é aí que o conceito de dilatação do espaço-tempo entra em jogo: quanto maior for o movimento através do espaço, menor será o movimento através do tempo.

Por exemplo, imaginamos um par de wormholes, um dos quais, durante um ano, permanece quase imóvel, enquanto o outro atinge uma velocidade próxima da velocidade da luz. Após um ano, o wormhole imóvel um ano, enquanto o wormhole móvel teria envelhecido 40 anos.

“Se há 40 anos atrás, alguém tivesse criado um par de wormholes e os tivesse emparelhado dessa forma, hoje seria possível entrar num deles e sair no outro no passado, algures no ano de 1977“.

Infelizmente, o problema é que não poderíamos regressar do passado ao presente, diz Ethan Siegel. Algo que não seria necessariamente mau, se nos tivéssemos lembrado de levar os números da lotaria no bolso de trás das calças.

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21 COMENTÁRIOS

  1. Estamos no domínio mais que especulativo, é quase delirante e assente em se se se descobrir imaginem energia negativa e coisas do género!!!
    Nem como ficção, nada cientifica, passa nos meus mais simples filtros de interesse!
    Depois hoje já é conhecido precisamente o contrário do que afirma. É possivel mesmo é desacelerar ou quase suspender o tempo. Um dos métodos ao nosso alcance e dos conhecimentos actuais, é através de temperaturas próximas do zero absoluto!
    Quanto ao resto fazem-se muito alarde de suposições sem fundamento e carimba-se uma parangona, como se fosse alguma descoberta real!

    • Estou de acordo. Neste momento estou totalmente convicto de acordo com a Teoria da Relatividade que é possível estar em dois sítios ao mesmo tempo. Veja-se o PCP. Está no Governo e na Oposição em simultâneo. É do carvalho!

    • É fácil viajar no tempo! Para regressar ao passado basta observar a luz das estrelas e das galáxias. Essa luz que nos chega no presente já foi emitida muito tempo atrás. Quanto mais distante a estrela mais antiga é a luz que vemos.

      • É fácil VER o passado, se uma camara estivesse num planeta a 40 anos luz de nós, poderia captar o planeta terra no dia há 40 anos atrás. Mas ir para o passado isso é outra coisa, a meu ver impossível.

    • Senhor Antonio Alves.
      Faça um pequeno calculo: o espaço está em expansão, correto?
      A velocidade da luz é constante desde o BigBang, correto?
      Qual a velocidade de duas galáxias que estão em pontos opostos do universo, desde o BIbBang?
      Chegou lá… estão a deslocar-se cada uma à velocidade da luz, ou seja, o dobro da velocidade da luz conhecida.
      Elementar!

  2. Não entendi quando ele diz que é impossível voltar do passado para o presente a dilatação temporal permite esse retorno é mais fácil acelerar para o futuro do que para passado.

  3. A teoria da relatividade é, de facto, espantosa, mas faz-me enorme confusão a ideia de que o espaço se expanda, comprima e distorça como se fosse algo material. Na minha perspetiva, o espaço é um meio livre imaterial e infinito que permite aos corpos materiais deslocarem-se livremente através dele cobrindo distâncias colossais. Penso que é muito mais simples vermos o espaço desta forma. Diz-se também que os buracos negros poderão ser a passagem para outros universos, mas eu discordo totalmente, porque além de pensar que só existe um universo contendo, obviamente, tudo o que existe, os buracos negros são, na minha ótica, as estrelas mais densas do universo, ou seja, podem ser compostos por partículas exóticas totalmente desconhecidas, ou então, serem simplesmente estrelas de fotões ou luz aprisionada.

    • A sua perspectiva é de qualquer um que ainda não estudou para ter uma perspectiva mais correcta. Para si faz-lhe sentido que o espaço seja algo vazio e imaterial da mesma forma que se não aprendêssemos na escola que a Terra anda à volta do Sol, o que nos sería mais intuitivo era pensar que o sol é que anda à nossa volta, porque é a ilusão que dá.

      Acho graça que o Joaquim se dá ao luxo de “discordar” das descobertas científcas, só porque o caracter parcial do seu conhecimento não lhe permite ainda compreender mais. Desse modo a ciência nunca andava para a frente. No dia em que a ciência disser “tudo o que não se consegue explicar com a ciência actual é porque não pode existir”, é o dia em que a ciência pára de evoluir.

  4. O funcionamento do universo rege-se pelas leis da física, mas estas têm que respeitar uma “força maior”, a da lógica. A simples possibilidade de envio de informação para o passado tornaria o universo inconsistente, pelo que pode ser descartada. Ethan Siegel certamente perceberá isto, mas é “cool” aparecer nas notícias…

  5. Se viajarmos a velocidade da luz, o tempo na terra passará tão rápido que para quem viajou terá passado algumas horas, e na terra, centenas de anos. Vai daí o ponto de vista, de quem vê. Quem está na terra recebe os que vieram do passado, os que chegam são recebidos e usufruíram dos que estão, ao seu ver, no futuro. Mesmo sendo presente.

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